Linchamentos virtuais: o que motiva os atos e a gravidade desse comportamento na sociedade atual

Enviada em 18/11/2020

Em setembro de 2020, ao compartilhar uma equivocada informação em uma de suas vídeo-aulas, a youtuber Débora Aladim foi brutalmente atacada em suas redes sociais, ao ponto de que teve que apagar sua conta no Twitter para não receber mais ataques. Tal acontecimento reflete a cultura do linchamento virtual existente hoje em dia, causada principalmente pelo anonimato na internet e pelo pensamento de impunidade dos agressores.

Primeiramente, deve-se citar que o número de contas de internet sem identificação pessoal é extremamente alto, como diz o cantor Projota na música em que faz críticas aos ataques em redes sociais “Mais Like”, no trecho “essas pessoas não têm RG, têm IP”, apontando como o anonimato dá uma sensação de coragem aos agressores e faz eles se sentirem livres para cometer linchamentos virtuais.

Além disso, a impunidade ainda é algo muito presente na questão de crimes virtuais, pois dificilmente todos os envolvidos são penalizados ao serem reconhecidos em tais situações, como aconteceu com a apresentadora Maísa em 2016, que sofreu ataques e ameaças de morte após uma publicação em seu Facebook, porém, após sua denúncia, nenhum dos agressores identificados foi penalizado ou sequer teve seu acesso à internet limitado, gerando apenas mais um caso de impunidade que apenas alimenta tais crimes.

Portanto, ficou claro que o anonimato e a impunidade compactuam com o linchamento virtual e são problemas que precisam ser solucionados. Para isso, o Estado deve criar regras mais rigorosas para ingressar em redes sociais para impedir o anonimato, como a necessidade de RG ou CPF para criar perfis e também deve criar leis mais duras para combater tais crimes virtuais, como por exemplo dando à ataques virtuais o mesmo peso penal que crimes como difamação e calúnia têm na vida real, impedindo assim os agressores de saírem impunes e dando às pessoas mais segurança na internet.