Linchamentos virtuais: o que motiva os atos e a gravidade desse comportamento na sociedade atual

Enviada em 08/12/2020

O excessivo compartilhamento de opiniões e acontecimentos é uma realidade. Porém, certas vezes, isso provoca linchamentos  virtuais os quais têm sua gêneses na cultura do ódio e no anonimato que a internet possibilita. Assim, originando consequências que muitas vezes são irreversíveis e confirmando que apesar de muita evolução há uma miséria humana sobressalente na sociedade.

Brás Cubas, na obra machadiana, diz que não teve filhos e não transmitiu o legado da miséria humana. Essa, refletida em diversas áreas da sociedade, no atual cenário, atinge principalmente a internet. Tal afirmação confirma-se com os recentes casos de linchamentos virtuais. Isso acontece, em virtude da cultura do ódio que é uma constante no meio social e gera indivíduos mais intolerantes a comportamentos e opiniões contrárias a sua forma de pensar. Além disso, as redes sociais permitem a criação de várias contas por uma única pessoa e, infelizmente, muitos cidadãos se aproveitam disso para praticar o anonimato que encoraja muitos a realização de atos injustos, como os julgamentos virtuais.

Outrossim, o resultado desses comportamentos antiéticos, por vezes, são irreparáveis. Isso ocorre porque muitas vítimas tornam-se depressivas,  ansiosas e, quando não conseguem lidar com o trauma tiram a própria vida. Um exemplo disso, foi o caso de Alinne Araújo, uma blogueira que  suicidou-se, no ano de 2019, após julgamentos sobre sua decisão de casar consigo mesma depois de ser abandonada pelo noivo.

Portanto, visando eliminar linchamentos virtuais são necessárias ações das escolas e redes sociais. Inicialmente, os centros de ensino devem incentivar o debate entre alunos sobre os males da intolerância no meio virtual. Dessa maneira, os jovens evitarão casos semelhantes ao de Alinne, agora, e futuramente. Ademais, as empresas gerenciadoras das redes sociais podem exigir dados mais específicos, como o número da carteira de identidade de cada usuário, a fim de diminuir a criação de diversas contas por um único cidadão e, assim, por um fim na prática do anonimato.