Linchamentos virtuais: o que motiva os atos e a gravidade desse comportamento na sociedade atual
Enviada em 26/11/2020
“Todo indivíduo tem direito à liberdade de opinião e de expressão, o que implica o direito de não ser inquietado pelas suas opiniões e o de procurar, receber e difundir, sem consideração de fronteiras, informações e ideias por qualquer meio de expressão”, frase que constitui a Declaração Universal dos Direitos Humanos. Se tal liberdade é dada ao homem, porque há tanto julgamento em suas opiniões expostas na internet? Atualmente, no Brasil, um simples comentário feito nas redes sociais pode resultar em inúmeros insultos, ataques e até mesmo ameaças de morte. É necessário extrema cautela ao postar algo, pois após integrar-se no mundo digital, tanto a imagem quando a reputação da pessoa fica em jogo.
Em primeiro lugar, vale ressaltar que a internet é um lugar em que, muitas vezes, as pessoas postam sobre seu dia a dia, sua rotina e acabam, mesmo sem querer, expondo suas vidas pessoais e o que pensam sobre vários assuntos. E a rapidez com que as informações vazam e são compartilhadas é um fator que favorece os casos de linchamento virtual, tal que, mesmo antes de confirmarem a veracidade do fato, as pessoas julgam e debatem com o que foi falado, rebaixando e tirando a razão de quem falou. Ao diminuirem a pessoa, no momento de raiva ou indignação, acabam não pensando nela, não pensando em sua dignidade e que isso pode, futuramente, fazer com que ela desenvolva problemas psicológicos.
Pesquisas constam, que em 2017, a Comissão de Constituição e Justiça da Câmara aprovou um projeto de lei que previa aumentar a punição quando a incitação a crimes ocorresse pela internet ou por meio de comunicação de massa. Tinha como proposta a criação de um novo tipo penal para aqueles que incitassem violência por meio de rede social ou qualquer veículo de comunicação virtual. Apesar das distintas diferenças entre o linchamento físico e o virtual, o linchamento virtual também é real, a pessoa atacada tem família, vida social, e não é só um perfil da internet. E há de pensar na pessoa e na vida que ela tem antes de tentar “fazer justiça” com as próprias mãos, postar um comentário na tentativa de se superiorizar e corrigir o outro não o fará melhor ou maior que ninguém.
Contudo, antes que o problema agrave, uma intervenção é necessária. Logo, está nas mãos do Governo Federal a imposição de campanhas e palestras conscientizantes nas escolas, para promover maior empatia entre os alunos e informá-los sobre os perigos do mundo tecnológico. Com uma benévola formação, uma nova sociedade se desenvolveria de forma consciente, sendo esta a maior esperança de todos do país.