Linchamentos virtuais: o que motiva os atos e a gravidade desse comportamento na sociedade atual
Enviada em 25/11/2020
O termo “linchamento virtual” é definido como ato de agir violentamente contra alguém por meio da Internet. Tendo como base essa definição, percebe-se que esse termo está presente na atualidade devido à “bolha social” em que o indivíduo se encontra. Diante disso, convém analisar como a má interpretação da liberdade de expressão aliada à falta de letramento digital confirmam a permanência dessa violência computacional.
Em primeiro lugar, é fundamental apontar a má interpretação da liberdade de expressão como fator essencial para instalação dessa problemática, visto que, muitos acreditam que a liberdade de expressão é um direito maior, sendo a Internet um ambiente livre da aplicação da lei e, por estarem protegidos pela “tela”, não serão identificados dentro da “massa linchadora”. No entanto, o enunciador pode responder criminalmente por ofender a dignidade humana, a qual também é um direito fundamental. Em contrapartida, as vítimas da violência sofrem consequências que ultrapassam o meio digital: perda de emprego, violências físicas e até suicídio.
Ainda mais, a falta de letramento digital é igualmente responsável por essa temática, uma vez que, o Brasil lidera a terceira posição do “ranking” mundial de Internet e apresenta mais de 2 milhões de ocorrências de linchamento virtual, de acordo com o IBOP. Dessa forma, é evidente que a população brasileira não possui informações de como se comportar em redes sociais e, por isso, ela é facilmente manipulada com notícias falsas, pois lhes faltam competências para identificar e analisar os recursos digitais disponíveis, que permitam uma reflexão sobre o processo e uma ação social construtiva.
Logo, diante do visível, são necessárias medidas para tal impasse. Cabe ao governo, juntamente com a Delegacia Especializada em Crimes Cibernéticos, a realização de palestras sobre como identificar notícias falsas, com o intuito de informar amplamente o público. Além disso, o Ministério da Educação, em parceria com as escolas, deve promover aulas sobre o tema “liberdade de expressão”, por meio de debates nas salas de aula, para que os jovens compreendem o verdadeiro significado desse direito. Assim, espera-se que o “linchamento digital” seja evitado.