Linchamentos virtuais: o que motiva os atos e a gravidade desse comportamento na sociedade atual
Enviada em 25/11/2020
“A tecnologia é moralmente neutra. O que interessa é o que fazemos com ela”. Segundo o pensamento de John Goodenough, a internet é uma ferramenta muito importante, e pode contribuir positivamente para o avanço da sociedade. Porém, da mesma forma que ela é uma invenção extraordinária, também pode ser utilizada para o mal, como por exemplo nos linchamentos virtuais. Uma simples publicação não compreendida, ou considerada politicamente incorreta pelos militantes, pode causar xingamentos, ameaças de morte, ataques físicos e mentais. Primeiramente, é necessário entender o que motiva esses ataques, e quais as consequências que eles podem causar no mundo real. De acordo com Karen Macedo, mestre pela Unicamp, “Como são muitas pessoas que comentam e compartilham, eles acreditam que ficarão impunes porque são só mais um. Além disso, as pessoas normalmente têm mais coragem de dizer o que pensam protegidos por uma tela de computador do que teriam face a face.” Karen baseou seu projeto de pesquisa no caso do linchamento real, que se iniciou com um boato na internet e acabou em morte da dona de casa Fabiane Maria de Jesus, no Guarujá.
Em segundo plano, é importante ter em mente que o linchamento virtual tem um espirito vingativo, é uma maneira da sociedade punir e julgar o “criminoso” com as próprias mãos. Por exemplo, em 2013, a norte-americana, Alicia Ann Lynch, decidiu postar no Twitter sua fantasia de Halloween: uma vítima do atentado na maratona de Boston. O retorno foi instantâneo, e momentos depois sua publicação estava cheia de mensagens de ódio, informações pessoais, e fotos intimas de Lynch publicadas na rede.
Com o objetivo de mudar essa realidade, cabe ao Congresso Nacional formular leis e limites mais rigorosos quanto a divulgação de informações pessoais e a propagação de discurso de ódio. Também se faz importante a utilização dos meios midiáticos com anúncios e post’s, pelas delegacias cibercrimes, para informar e ajudar as vítimas nas denúncias.