Linchamentos virtuais: o que motiva os atos e a gravidade desse comportamento na sociedade atual
Enviada em 25/11/2020
Linchamento virtual refere-se ao ato de atacar virtualmente um indivíduo ou um grupo de pessoas que tomaram decisões ou atos considerados errados por aqueles que atacam. Entretanto, é importante ressaltar que as vítimas desses ataques também são pessoas e, por isso, devem ter seus direitos enquanto cidadãos respeitados. Sendo assim, é imprescindível que essa visão de fazer justiça virtualmente e incentivar outros a fazerem o mesmo deve parar imediatamente.
O ato de se linchar uma pessoa vem atrelado com um sentido de fazer justiça com as próprias mão, já que, na maioria dos casos, a cresça de que as autoridades faram algo justo está perdida. Primeiramente, todas as linchações virtuais são justas? Não. Vejamos o exemplo do youtuber Júlio Cocielo que em 2015 fez um infeliz comentário sobre a velocidade do jogador Mbappé que o relacionava a um assaltante. Logo após postar sua “piada”, Cocielo prontamente recebeu uma chuva de comentários negativos que o acusavam de racismo. Eu não tenho nenhum intuito de me posicionar a favor do que Júlio fez, mas não seria muito melhor educa-lo do que ataca-lo? Explicar o motivo dele estar errado (como algumas poucas pessoas fizeram) ao invés de pedir por seu suicídio?
Em casos mais graves de linchamento virtual, as pessoas que já sofreram o ataque virtual ainda têm que lidar com um ataque físico que nunca é merecido. Um bom exemplo foi Fabiane Maria de Jesus, uma dona de casa acusada de praticar magia negra e sequestrar crianças para seus rituais. Além de ser completamente injusto o linchamento que a senhora sofreu, pois não há nenhuma prova sequer de que ela praticava magia negra, Fabiane foi espancada até a morte por moradores revoltados. Segundo José Martins de Souza, professor e sociólogo da USP, o linchamento provavelmente acontece porquê “a população lincha sobretudo para indicar seu desacordo com alternativas de mudança social que violam valores e normas de conduta tradicionais”, ou seja, o linchamento não é uma desordem e sim uma resposta a desordem causada por alguém ou alguma coisa, mas é importante lembrar que vivemos em um país com leis e penitências então fazer justiça com as próprias mãos é jogar fora tudo que temos e implementar ideias e valores pessoais que podem ou não estarem deturpados.
Em suma, o linchamento precisa parar o mais rápido possível e para isso é mais do que necessário que o governo entre em ação com medidas mais rigorosas de policiamento na internet, mas não só isso. Escolas municipais e estaduais poderiam fazer palestras que visassem ensinar às crianças e adolescentes o quão importante é averiguar a veracidade de uma notícia e como é errado a visão de fazer justiça com as próprias mãos. Dessa forma pode-se minimizar os erros cometidos pelos linchamentos e educar de forma efetiva a população com relação a esse assunto.