Linchamentos virtuais: o que motiva os atos e a gravidade desse comportamento na sociedade atual

Enviada em 25/11/2020

É inegável que os linchamentos virtuais trazem mais consequências negativas do que deveriam, além de, na maioria das vezes, ocorrerem por motivos bobos, irrelevantes. Esse fato pode facilmente ser notado no cancelamento do youtuber Tio Orochi, que perdeu todos os seus patrocínios e teve sua conta banida do Twitter apenas por criticar os padrões de beleza da indústria do K-Pop, sendo linchado massivamente pelas fãs do gênero musical. Outro triste exemplo desse problema é o caso de suicídio do influenciador Reckful, tendo tirado a própria vida após receber inúmeras críticas por pedir sua namorada em casamento pelo Twitter.

“No Twitter só tem santo e entidade imaculada[…]”, diz o músico Luckhaos em uma de suas canções, ironizando o fato de os usuários da rede social se julgarem como “donos da razão” e moralmente superiores a todos que discordarem de suas opiniões. Essa “síndrome de justiceiro” é a principal causa da banalização dos linchamentos virtuais, pois faz com que a pessoa seja mais julgada do que a ação cometida. Nas redes sociais ninguém está realmente preocupado se o que determinada pessoa fez está certo ou não, todos estão somente interessados em ganhar fama e curtidas, se aproveitando de quem tem uma opinião que diverge da ação julgada, e no final, quem tem mais likes está certo. Os linchamentos virtuais certamente não acabarão de uma vez, mas é posível reduzir aos poucos.

Para isso, é necessário que as mídias sociais, principalmente o Twitter, que é onde os linchamentos são mais frequentes, comecem a ter maior controle sobre as publicações dos usuários, censurando as palavras mais usadas nas mensagens que disseminam ódio. Outra possível solução seria a criação de leis mais severas sobre discurso de ódio com foco nas redes sociais, fazendo com que eventualmente o “tribunal da internet” perca sua relevância e poder.