Linchamentos virtuais: o que motiva os atos e a gravidade desse comportamento na sociedade atual
Enviada em 25/11/2020
O filme “Aos teus olhos”, de Carolina Jabor, mostra um professor de natação que vê sua vida mudar ao ser acusado pela mãe de um dos alunos de beijar a criança na boca. Menos de 24 horas separaram o momento da publicação da história nas redes sociais das primeiras consequências físicas de denúncias. Fora da ficção, tal fato se tornou realidade, visto que, em nossa sociedade, isso acontece muito, principalmente entre adolescentes. Tal problemática acontece por inúmeros fatores, como, vingança para punir o suposto crime original e intolerância. É indiscutível que os linchamentos virtuais se tornaram um grande problema para a sociedade, cenário que precisa ser revertido.
Decerto, isso acontece mais na adolescência, principalmente por influência dos amigos. Sabemos que, no Brasil, dependente de quão grave for o linchamento, é crime, mas apesar disso, há muitas estratégias para continuar com tal ato e sair ileso. Isso pode ser representado pela influência de amigos e pelo ódio da população que foi incitada nas redes sociais, como, no episódio “Odiados pela nação” da série “Black Mirror”. O episódio passa através da investigação feita por um detetive e sua equipe sobre uma série de assassinatos que ocorrerem de uma forma misteriosa, mas com uma causa em comum: todos os alvos de assassinato incitaram de alguma forma a ira da população nas redes sociais. Desse modo, o mundo em um todo enfrenta dificuldades para acabar com o linchamento virtual implícito.
Por conseguinte, há vários malefícios que o linchamento virtual causa a nossa sociedade. No filme “Aos teus olhos”, só é possível ver uma imagem superficial do personagem, assim como nas redes sociais, tudo que diz respeito ao que aconteceu entre o professor e o aluno é muito turvo na história. Então, não sabemos o que de fato aconteceu mas sabemos que as consequências não são as melhores. Em suma, pela vasta liberdade de expressão que as pessoas têm nas redes sociais e por internautas pensarem que esse é o direito maior, se esquecem da dignidade da pessoa linchada e que essa vítima pode desenvolver problemas de saúde como depressão e ansiedade. De tal modo, o Brasil, lidera a terceira posição no “ranking” mundial de internet e tem 2.036.411 ocorrências de linchamento virtual, de acordo com o IBOP, é nítido que não há letramento entre os brasileiros.
Fica notório, portanto, que medidas precisam ser tomadas para combater o linchamento virtual. Logo, cabe ao Governo Federal junto com a Delegacia Especializada em Crimes Cibernéticos disponibilizar nas escolas palestras e aulas de informações tecnológicas para promover mais empatia entre os alunos. Ademais, o Congresso Nacional deve implantar novas leis e limites mais duros quanto a divulgação de sites que espalham ódio. Feito isso, esse conflito não será mais realidade em nossa sociedade.