Linchamentos virtuais: o que motiva os atos e a gravidade desse comportamento na sociedade atual

Enviada em 25/11/2020

No cenário contemporâneo, em que a tecnologia digital promove adventos funcionais de comunicação e acúmulo de dados, os ambientes das redes sociais têm adquirido popularidade. Há diversas discussões sobre como eles afetam os indivíduos e seus cotidianos familiares e pessoais, através do consumo excessivo ou modificando aspectos culturais. Entre tais opiniões, é fato que as redes sociais facilitam linchamentos virtuais e desprezos massivos entre indivíduos. A denominada “cultura do cancelamento” tem influenciado um vasto número de indivíduos a se mobilizarem em prol de reprimirem ou desprezarem usuários e identidades culturais, através de um prisma superficial, sensacionalista, ilusoriamente justo, e negativo para o desenvolvimento diversificado e tolerante da sociedade.

As redes sociais vinculam liberdade de expressão imensa aos indivíduos, que estão sob normas nacionais liberais, no que tange a acessibilidade digital. O contraponto deste aspecto, supostamente libertador e viável à expressividade, é a prática cibercriminosa de linchamento e ofensas morais, que é constantemente fomentada e estimulada em redes sociais. Grupos de indivíduos, que mantém e reprimem causas, são, a partir destes mecanismos, mais facilmente aglomerados conceitualmente. A ideia de polarização e personalismo, que evidentemente está constantemente presente na história da humanidade; como no contexto político e moral da Segunda Guerra Mundial, em que Adolf Hitler era ovacionado e valorizado nacionalmente; é idealizada profundamente por alguns desses grupos, estimulando-os a praticarem ofensas e repressões neste meios, em que as informações são mais eficientemente acumuladas e divulgadas.

O intuito social que permite a prática de tais ações, é a necessidade que indivíduos têm de adentrarem à um conjunto de características que os permitem se identificarem em coletividade e manifestarem suas perspectivas. No que tange a compreensão da pluralidade social, em que manifestações ofensivas devem ser respeitosamente contrapostas, essa logística de identificação social é, infelizmente, problematizada. Considerando as redes sociais como reflexo da sociedade, por ser utilizada por indivíduos que a compõe, é perceptível a ausência de compreensão e devido exercício das diretrizes constitucionais referentes aos direitos humanos, assumidos pela ONU e diversas nações.

Portanto, considerando a ocasião exposta, é essencial que haja o aprimoramento das fiscalizações legais e facilitação de denúncias morais discretas. Isto pode ser realizado por meio do estímulo governamental à profissionais vinculados às áreas judiciais e legislativas, como advogados, juízes e investigadores, aderirem a prestação de serviços e especulações virtualmente. Assim, por fim, promovendo o reconhecimento popular das exigências civis, também aplicáveis em ambientes virtuais.