Linchamentos virtuais: o que motiva os atos e a gravidade desse comportamento na sociedade atual

Enviada em 25/11/2020

Caiu na rede, é peixe, ou melhor, é viral

‘’Black mirror’’ é uma série britânica cuja premissa é retratar realidades distópicas futurísticas onde a tecnologia assume grande influência.Em um de seus episódios,pessoas começam a morrer de forma misteriosa após serem vítimas de linchamentos virtuais e terem seus nomes vinculados a hashtag ‘’#DeathTo’’(‘’morte para’’, em tradução literal).Não distante da ficção,hodiernamente,vem se tornando comum notícias e relatos acerca de grupos em mídias sociais que promovem ataques no meio virtual e real.Por isso,se faz necessário o debate quanto a propagação dos discursos de ódio nas redes sociais. Envergonhar publicamente um indivíduo ou uma marca tem o poder de mudar comportamentos sociais tanto dos alvos da vergonha quanto daqueles que entram em contato com o ato - e pode causar mudanças reais naqueles indivíduos. Além disso, a mobilização também ajuda a chamar atenção do poder público para um caso, o que pode render alguma ação legal se o ato executado pelo indivíduo for, além de algo moralmente reprovável, um crime. O linchamento virtual adquire outro caráter quando lembramos que as informações que publicamos e registramos na rede são difíceis de apagar. Além do impacto imediato na vida da pessoa que foi linchada, ela pode seguir sendo punida por uma mancha enorme em sua reputação pelo resto da vida: basta uma busca na internet. O linchamento tem caráter vingativo, de punir com força redobrada o suposto crime original. É uma forma de a sociedade julgar a ineficiência dos procedimentos oficiais de justiça. “A hipótese mais provável é a de que a população lincha para punir, mas sobretudo para indicar seu desacordo com alternativas de mudança social que violam valores e normas de conduta tradicionais”, escreve Martins. “O linchamento não é uma manifestação de desordem, mas de questionamento da desordem.” Ademais,as escolas,em parceria com as famílias,e até mesmo grandes influencers com o senso da gravidade que carrega tal atitude, devem inserir a discussão sobre esse tema tanto no ambiente doméstico quanto no estudantil, e principalmente no meio virtual, por intermédio de palestrantes, com a participação de psicólogos e especialistas, que debatam acerca de como agir “online”, com o objetivo de desenvolver, desde a infância, a capacidade de utilizar a tecnologia a seu favor e identificar e cessar a reprodução desses discursos impedindo sua legitimidade social. Feito isso, o conflito vivenciado na série não se tornará realidade.