Linchamentos virtuais: o que motiva os atos e a gravidade desse comportamento na sociedade atual

Enviada em 25/11/2020

O episodio “Odiados pela Nação”, da série “Black Mirror”, diz respeito à utilização da internet para dizimar pessoas por alguma atitude considerada inadmissível pela sociedade. Através das mídias sociais, o público julga e decide condenar a pessoa pública por algum comportamento moralmente suspeito. Fazendo um apelo à realidade, o linchamento virtual tem o mesmo propósito, causando inúmeros efeitos negativos.

É sabido que, os principais motivos para os fortes julgamentos nas redes sociais são por questões de racismo, homofobia, intolerância religiosa ou política. Discutir sobre esses assuntos é de suma importância para combater essa problemática e para promover a reflexão e a mudança. No entanto, com a “cultura do cancelamento”, o debate tem efeito inverso. Com os comentários maldosos, até mesmo ameaça de morte e pedido de suicídio, gera-se o intuito apenas de punir o sujeito, descartando a finalidade principal da discussão, o aprendizado educativo. Um exemplo recente dessa prática foi com a autora da coleção de livros “Harry Potter”, J.K. Rowling, que foi linchada por fazer comentários transfóbicos em suas mídias sociais.

Além disso, reflete-se também sobre a tese da modernidade líquida do sociólogo Zygmunt Bauman, na qual a sociedade do século XXI está marcada pelo egocentrismo, onde apenas a própria opinião é válida e a forte ausência de empatia. Dessa forma, o linchamento virtual também se tornou uma forma de ascensão do próprio individuo, os mesmos reproduzem os comentários maldosos com a intenção de se destacar. Porém, agem sem pensar nas consequências de seus atos, as pessoas que são exterminadas na internet estão condenadas a sofrerem sérios transtornos psicológicos, como ansiedade, depressão, síndrome do pânico, entre outros. Sem contar também com as consequências mais sérias ainda, como o próprio suicídio.

Por fim, o linchamento virtual precisa ser solucionado, para isso, é necessário que o Ministério da Educação procure trabalhar mais sobre esse tema, mediante de debates e promover como abordagem obrigatória nas escolas em matérias como história, geografia, sociologia e filosofia, para jovens e adolescentes terem mais consciência de suas atitudes e consequências. Ademais, o Ministério também, através de suas mídias sociais, conscientizar por meio de publicações e lives sobre o tema. Dessa forma, a conhecida “cultura do cancelamento”, poderá ser combatida pela sociedade.