Linchamentos virtuais: o que motiva os atos e a gravidade desse comportamento na sociedade atual

Enviada em 25/11/2020

Na série britânica,‘’Black mirror’’, retrata realidades distópicas futurísticas onde a tecnologia assume grande influência. Em um de seus episódios, pessoas começam a morrer de forma misteriosa após serem vítimas de linchamentos virtuais. Fora da ficção, isso vem ganhando força nas redes sociais, basta postarmos uma coisa que se for interpretada de maneira errada você estará sujeito ao linchamento virtual. Isso acontece por diversos fatores, mas, principalmente, por acharem que são protegidos pelo anonimato e por isso promovem ataques virtuais e a propagação de discursos de ódio na internet.

Decerto, faz necessário reconhecer que essas ferramentas nos influenciam. Esse mecanismo, tornou a vida de muitos indivíduos a terem autonomia de divulgar e ter acesso a qualquer tipo de conteúdo. A Ação Social, para Max Weber, são ideias, crenças e valores que eram os principais catalisadores das mudanças sociais. Acreditava-se que, os indivíduos possuíam uma comunicação com os outros e por isso teriam a liberdade de se expressar e modificar a sua realidade. Logo, podemos citar o massacre de Suzano, que ocorreu em 2019 no estado de São Paulo, inspirados em outros massacres e neonazistas, que estavam ligados aos conceitos de Weber. Assim, podemos associar, que as redes sociais é instrumento de socialização e influenciação.

Ademais, são propagados discursos de ódio na internet e muitos justificam que tais postagens são direitos a liberdade de expressão, que se encontra na Constituição Federal no artigo 5°. Porém, além deste, há outro direito fundamental, tanto na Declaração Universal dos Direitos Humanos no artigo 1°, como também na Constituição Brasileira no artigo 1º (inciso III), que propõem o dever de respeitar a dignidade de qualquer pessoa. Logo, o discurso de ódio desqualifica o sujeito e reduz a autoridade da vítima, o que foge do princípio democrático da liberdade de expressão.

Observa-se, então, que os discursos de ódio possuem uma relação com a influência nas redes sociais. Diante disso, é necessário uma ação do Congresso Nacional que deve formular leis e atitudes mais bruscas quanto a divulgação de sites que perpetuam discursos de ódio a fim de diminuir a propagação e a atuação. Além disso, o Ministério da Educação, devem inserir no meio educativo sobre este tema, por intermédio de palestrantes, psicológicos e especialistas, que esclareçam a acerca de como “agir” nas redes sociais, com o intuito de desenvolver desde a infância a capacidade de utilizar a tecnologia ao seu favor. Feito isso, o que aconteceu na série não se tornará realidade.