Linchamentos virtuais: o que motiva os atos e a gravidade desse comportamento na sociedade atual

Enviada em 25/11/2020

Machado de Assis, em sua fase realista, despiu a sociedade brasileira e teceu críticas aos comportamentos egoístas e superficiais que caracterizam essa nação. Não longe da ficção, percebem-se aspectos semelhantes no que tange à questão dos linchamentos virtuais. Isso ocorre tanto pelo uso excessivo das redes socias, como também, pela intolerância social à opiniões.

Primeiramente, pode-se apontar como um empecilho à consolidação de uma solução, ao uso excessivo das redes midiáticas. Conforme Pierre Bourdieu, o que foi criado para ser instrumento de democracia não deve ser convertido em mecanismo de opressão. Nessa perspectiva, pode-se observar que a mídia, em vez de promover debates que elevem o nível de informação da população, influência na consolidação do problema.

Em segunda instância, vale ressaltar, que a intolerância da sociedade  a opiniões que divergem dos demais, caracteriza, o principal motivo dos linchamentos virtuais. Assim, a “política do cancelamento” e o termo “cancelado(a)”, são exemplos de expressões criadas nas redes midiáticas com o intúito de julgar outras pessoas por erros ou opiniões diferentes das demais. Logo, influênciadores digitais, são os principais alvos desses ataques. Além disso, pesquisas afirmam que os linchamentos não só comprometem a integridade física das pessoas, como também, estimulam problemas como a ansiedade e a depressão.

Depreende-se, portanto, que medidas estratégicas são necessárias para alterar esse cenário. Para que isso ocorra, o MEC junto ao Ministério da Educação deveram desenvolver palestras em escolas, para alunos do Ensino Médio, por meio de entrevistas, bem como especialistas no assunto. Tais palestras devem ser webconferenciadas nas redes sociais de influenciadores digitais, como o objetivo de trazer maior lúcidez sobre os linchamentos virtuais e atingir um maior público. Por fim, é preciso que a comunidade brasileira olhe de forma mais otimista para as diferenças, pois, como constatou Hannah Arendt: “A pluralidade é a lei da terra”.