Linchamentos virtuais: o que motiva os atos e a gravidade desse comportamento na sociedade atual

Enviada em 25/11/2020

No ano de 2020, no Brasil, ocorreu um caso fatídico do que é chamado “cancelamento” digital, tendo como vítima a jornalista Glória Maria, que sofreu por diversas ofensas e críticas por ir contra a cultura do politicamente correto em uma de suas falas. Desconsiderado o valor do posicionamento da personalidade, esse caso expõe uma grande contradição, pelo fato de o próprio movimento criticado por ela se valer de uma bandeira pacifista. Tal situação, porém, não é um caso isolado e pode-se observar diversos fatos semelhantes no Brasil e no mundo, muito influenciados pela democratização do direito à expressão de opinião própria advinda das mídias digitais, mesmo que esta seja depreciativa, o que pode impor danos emocionais e psicológicos nos alvos de tais linchamentos.

Sob um panorama inicial, percebe-se nas mídias sociais atualmente, um imenso volume de mensagens e opiniões sendo expressadas, de modo que por diversas vezes tais posicionamentos entram em conflito, de maneira mais intensa se comparada a uma situação social não virtual. Isso porque, nesses ambientes, usuários que, munidos do sentimento da impunidade, se sentem livres em ser ofensivos e lincharem determinadas pessoas. Segundo o escritor italiano Umberto Eco,  as mídias digitais deram direito à fala a legiões de imbecis, o que pode ser interpretado de modo a compreender que as redes sociais democratiza o direito à fala, dando voz inclusive a quem não tem boas intenções.

A problemática abordada gera, em muitos casos, uma grande pressão psicológica nas vítimas desses linchamentos, de modo que, por diversas vezes, podem ocasionar em problemas de sociabilidade e insegurança. Segundo o poeta e dramaturgo inglês William Shakespeare, todo mundo é capaz de dominar a dor, exceto quem a sente. Tal afirmativa se faz de grande importância ao analisar os danos emocionais que esses atos causam, visto que o grande volume de mensagens ofensivas que são postadas, carregam consigo um poder destrutivo muito expressivo, já que esses usuários acabam por impor dores psicológicas que o próprio alvo pode não ter estrutura mental para lidar.

Portanto, se faz necessário que empresas que controlam as redes sociais, por exemplo do Facebook e Twitter, passem a fiscalizar em grande escala mensagens de cunho depreciativo voltados contra outros usuários, se utilizando também de denúncias dos alvos dos linchamentos digitais, de modo a aplicar punições e banir contas. Ademais é preciso que governos ao redor do mundo organizem campanhas contra a agressividade nas redes sociais, por meio de palestras de psicólogos e profissionais da saúde mental, conscientizando alunos das redes pública e privada a respeito dos danos emocionais causados por essas práticas. Através dessas medidas, serão atenoados os efeitos de mensagens que possuem viés criminoso, como injúrias e difamações nas mídias sociais.