Linchamentos virtuais: o que motiva os atos e a gravidade desse comportamento na sociedade atual

Enviada em 26/11/2020

No livro “Misto quente”, o escritor Charles Bukowisk apresenta o personagem Henry Chinaski, um adolescente incapaz de conviver com o diferente, criticando tanto a aparência quanto a personalidade de todos ao seu redor. Fora da ficção, na contemporaneidade, a sociedade brasileira apresenta a mesma problemática do garoto, naturalizando o preconceito tanto físico quanto online. Com isso, surge a questão dos linchamentos virtuais, que persiste intrínseca à realidade hodierna, seja pela ignorância que vigora na sociedade ou pela ausência de uma educação libertadora.

Em primeira análise, é crescente o número de pessoas cuja preocupação excessiva pelo “parecer” nas redes se tornou mais importante que o “ser real”. Nesse sentido, na obra “Poema em linha reta”, o autor Fernando Pessoa retrata essa hipocrisia da sociedade, a partir de pessoas (apelidadas de semideuses) que escondem seus defeitos para aparentar ter a vida “perfeita” aos olhos do outro. Desse modo, as redes sociais estão repletas de “semideuses digitais”, que praticam o preconceito virtual afim de despertar o sentimento de superioridade e fortalecer o seu egocentrismo

Em segunda análise, o preconceito da sociedade no convívio com o diferente nas redes sociais evidencia a educação depositadora que vigora no Brasil. Nesse sentido, o educador Paulo Freire criou o conceito de educação bancaria, em que o “educador” bancário faz “depósitos” nos alunos, a fim de manter a divisão entre os oprimidos e opressores. Por conseguinte, o fruto dessa realidade educacional são indivíduos incapazes de praticar a empatia e, assim, intolerantes tanto na vida real quanto virtual.

Portanto, medidas estratégicas são necessárias para alterar esse cenário. Para tanto, o Ministério da Educação deve promover o projeto “Você, ser humano”, em que são administradas por profissionais da área de psicologia palestras semestrais obrigatórias nas escolas de ensino médio do país, para alunos e familiares, que tratem da importância do respeito ao próximo e ensinem que o possível é melhor que o perfeito, a fim de que os jovens, diferentes de Henry Chinaski, aprendam a conviver com o diferente.