Linchamentos virtuais: o que motiva os atos e a gravidade desse comportamento na sociedade atual

Enviada em 26/11/2020

A liberdade de expressão é um direito previsto no artigo 5º da Constituição Federal, e também no artigo XIX na Declaração Universal dos Direitos Humanos. Entretanto, ao se tratar de linchamentos virtuais, tal direito é questionado, pelos conteúdos de ódio presente nesses “assassinatos”. Com isso, surge a problemática desses discursos de violência no âmbito digital, ocasionados pela cultura de linchamento enraizada e dos algoritmos das redes sociais, realidade que precisa ser revertida.

Sabe-se que em processos da história da humanidade, houve punições severas a indivíduos que não concordassem a uma opinião comum de um grupo. A Inquisição foi um desses processos, o qual se deu no julgamento e perseguição, em grupos, a pessoas acusadas de crimes heréticos. De tal forma, esse sistema de castigo perpetua-se até os dias de hoje, com a notoriedade de sua presença nesses ataques virtuais. O sociólogo José de Souza Martins afirma essa existência, com a conservação de ataques em grupos, dizendo que “Essas estruturas mentais emergem depois do linchamento iniciado, quando os participantes perdem sua identidade individual em favor da identidade coletiva da multidão, como se estivessem possuídos por um outro, que não eles mesmos.” Logo, deve-se erradicar essa cultura de linchamento em grupo, retirando as ideias existentes de punição.

Outrossim, os algoritmos das redes sociais popularizam essas publicações, ampliando seu conhecimento e aumentando o número de aceitações ao ódio. No documentário “O dilema das redes sociais”, é demonstrado o funcionamento desses códigos, os quais são programados para apresentação na “timeline” do usuário postagens com mais curtidas e compartilhamentos, e principalmente, com a mesma visão de mundo e ideologias, causando as “bolhas sociais”, cercando-se de indivíduos com mesmos gostos e opiniões. Assim, as mídias sociais são excludentes no contexto de apenas mostrar o que o sujeito quer ver, incitando nas relações de ódio e no comportamento de violência em grupo citado. Diante exposto, é preciso a mudança lógica de tais algoritmos, partindo de ideias mais justos e benéficos.

Portanto, é necessário a mudança da estrutura social digital existente. Para isso, cabe-se ao Ministério da Educação, juntamente com o Ministério da Cultura, o incentivo desde a pré-escola a boa convivência com as diferenças, a partir da implementação de sistemas inclusivos, debates e programas culturais, para desestruturar a cultura de linchamento. Ademais, a criação de campanhas de conscientização, por parte das empresas privadas detentoras de aplicativos de redes sociais, do uso consciente dos meios digitais, a partir de propagandas e mudanças na lógicas do algoritmos, a fim de trazer um melhor uso dessas ferramentas. Desse modo, será possível haver liberdade de expressão de forma respeitosa.