Linchamentos virtuais: o que motiva os atos e a gravidade desse comportamento na sociedade atual
Enviada em 29/11/2020
No ano de 2010, a estudante paulista Mayara Petruso publicou em uma rede social “Mate um nordestino afogado”. Tal post ganhou uma repercussão negativa e a levou a ser demitida e a abandonar a faculdade. Nessa perspectiva, nota-se o estrago que uma publicação infeliz pode gerar na vida de uma pessoa. Diante disso, cabe analisar as causas e consequências da cultura do cancelamento virtual.
Primeiramente, é válido ressaltar que a sociedade, em geral, busca uma pessoa para usar como “bode expiatório” e culpabilizar por problemas sociais. E isso leva a uma “caçada” organizada pelos justiceiros, cidadãos corretos, em busca do mal, pessoas politicamente “incorretas”. Desta maneira, o indivíduo é julgado por uma ação isolada, sem direito a uma segunda chance. Essa informação pode ser justificada pelo fato de que, de acordo com o teórico Zygmunt Bauman, vivemos na modernidade líquida, em que as relações são frágeis, ou seja, não há vínculos duradouros na contemporaneidade que permitam o exercício da empatia entre os seres humanos.
Em segundo plano, é importante destacar que o linchamento virtual pode trazer resultados desastrosos para quem está sendo “cancelado” virtualmente. Para ratificar, tem-se a teoria da virtualização do filósofo Pierre Levy que afirma que os acontecimentos que ocorrem no mundo virtual também influenciam diretamente o mundo real. Logo, se um usuário publica algo negativo na internet, ele pode ser linchado virtualmente, e corre o risco de perder o seu emprego ou sofrer uma agressão física, por exemplo.
Portanto, é imprescindível que medidas sejam tomadas para mudar esse cenário nefasto. Para isso, o Governo Federal deve, por meio do Ministério da educação, capacitar professores, preparando-os para darem palestras sobre empatia nas escolas, de forma a humanizar os alunos e conscientizá-los sobre a necessidade de se evitar discurso de ódio nos meios virtuais.