Linchamentos virtuais: o que motiva os atos e a gravidade desse comportamento na sociedade atual

Enviada em 02/12/2020

A “Primavera Árabe”, surgida em 2010, foi uma onda revolucionária de manifestações no Oriente Médio que buscava protestar contra a tirania e brutalidade de líderes políticos na região. Com a censura absurda nesses países, a internet se tornou o único meio de comunicação e divulgação dos grupos revolucionários. Não obstante, o papel das redes sociais hoje no Brasil assume um caráter oposto, servindo de instrumento de depreciação. Os chamados “linchamentos virtuais” têm prejudicado suas vítimas e censurando o ambiente das redes em busca de, uma deturpada, justiça.

Em primeiro plano, é fulcral pontuar que os linchamentos virtuais prejudicam socialmente as vítimas. Isso se torna mais nítido quando investigamos os mecanismos de funcionamento das redes sociais. Nesses ambientes há uma proteção identitária para os usuários, permitindo-os usarem ícones e codinomes em seus perfis. Com isso, os indivíduos camuflam sua identidade e se sentem livres para dizerem o que querem. Com efeito, ameaças de morte, xingamentos e denúncias são feitas por uma onde de usuários sobre a vítima. Assim, seus efeitos aparecem na vida real com: a perda de amigos, emprego e oportunidades sem sequer ser julgada judicialmente.

Em segundo plano, as ondas de linchamentos na internet oferecem risco à democracia proporcionada pela internet. Ademais, essas perturbações ocorrem publicamente na “web”, permitindo que qualquer usuário cadastrado veja. Consequentemente, a onda de ódio criou uma atmosfera de medo nas redes, fazendo outros usuários se sentirem temerosos em relação às suas publicações.

Destarte, nota-se a gravidade desse movimento nas redes e a urgente reparação dos seus efeitos. Para combater os linchamentos virtuais e ajudar suas vítimas urge que a Câmara, junto ao Senado, tipifiquem essas ondas de difamação na internet, por meio de projetos de leis, como crimes virtuais. Assim, pode-se dar chance às vítimas de lutarem judicialmente pela verdade, restaurando a atmosfera democrática da rede.