Linchamentos virtuais: o que motiva os atos e a gravidade desse comportamento na sociedade atual

Enviada em 07/12/2020

A Constituição Federal de 1988 assegura que todos têm direito ao contraditório e ampla defesa, prerrogativas essenciais na vida em comunidade. Contudo, a realidade distorce da Carta Magna no que diz respeito às agressões sofridas pelos usuários da internet ao postarem comentários que não são aceitos por outros internautas, o que causa àqueles uma série de linchamentos virtuais. Dessa forma, para que haja melhorias nesse atual cenário, faz-se necessário o enfrentamento a várias questões, como: o preconceito e a impunidade.

Em primeira análise, é possível destacar o julgamento precoce como um fator contribuinte para o aumento  dos casos de violência virtual. Segundo Albert Einstein, “É mais fácil desintegrar um átomo do que um preconceito”. Sob essa ótica, nota-se a velocidade dos comentários ofensivos que são dirigidos aos navegadores que expõem opiniões contrárias àquelas aceitas pela maioria, sem que haja um conhecimento amplo acerca do contexto e de seus produtores. Desse modo, Buscar fontes diferenciadas, a fim de formar uma opinião sólida sobre os fatos expostos, antes de tecer um comentário, é fundamental para a diminuição das injustiças no mundo virtual.

Em segunda análise, a falta de correção do poder público é outro fator preponderante para a continuidade dos espancamentos on-line. O filme “Quanto vale ou é no quilo?”, do diretor Sérgio Bianchi, mostra a corrupção por trás das ONG’s, em que pessoas que deveriam lutar pelo bem-estar social estão, na verdade, preocupadas com o lucro pessoal. Nesse cenário, é possível destacar que isso acontece, dentre outros fatores, pela falta de fiscalização do Governo no tocante ao emprego das verbas destinadas  a ajudar os mais necessitados. De forma paralela, percebe-se que a inércia do Estado quanto ao controle dos conteúdos inseridos na web facilita o cometimento de novos crimes, como xingamentos e torturas virtuais provocados pela inserção de comentários mal aceitos.

Logo, combater o preconceito e a impunidade é crucial para amenizar a violência disseminada na internet. Portanto, urge que a ANATEL, órgão responsável por regular o acesso a internet no país, por meio de uma fiscalização mais eficiente, identifique e puna os responsáveis por atos violentos na rede, a fim de mitigar os ataques nesse ambiente. Ademais, as instituições de ensino devem formar os estudantes acerca do uso consciente e respeitoso das redes sociais, para que haja mais compreensão e menos julgamentos precipitados a respeito da opinião alheia. Assim, se adotadas as medidas supracitadas, os internautas terão a oportunidade de se expressarem e , caso cometam alguma falha na comunicação, poderem corrigir seus atos amparados pelos direitos constitucionais supracitados.