Linchamentos virtuais: o que motiva os atos e a gravidade desse comportamento na sociedade atual

Enviada em 11/12/2020

Durante a Idade Média, o Tribunal do Santo Ofício julgava e punia todos os considerados hereges pela Igreja Católica. Nesse ínterim, é notório que nos tempos hodiernos o ambiente virtual se apresenta, em muitos casos, como um certo tipo de Inquisição, onde diariamente pessoas são linchadas pelos mais diversos motivos. Desse modo, faz-se pertinente debater acerca das consequências dessa cultura do cancelamento.

Por um lado, a pressão feita sob o indivíduo “cancelado” pode possuir seu lado positivo. Como exemplo, pode-se citar o caso da blogueira Gabriela Pugliesi que em abril de 2020 foi alvo de ataques após quebrar quarentena e postar stories debochando da situação no aplicativo Instagram. Após linchamento, ela ficou três meses afastada das redes sociais e em vídeo recente diz que teve um período de aprendizado após cometer erro “imaturo e inconsequente”.

Por outro lado, há uma linha tênue entre pressão e opressão. Segundo o filósofo francês Jean-Paul Sartre, a violência, seja qual for a maneira que se apresenta, é sempre uma derrota. Sob essa ótica, o descomedimento da pressão se torna uma forma de violência, visto que o linchamento costuma não dar á vítima nem direito de resposta, nem chance de redenção. Assim, diante de um cenário de penas tão severas, a pressão se converte em opressão e as consequências para as vítimas são incalculáveis.

Entende-se, portanto, que é necessária a adição de medidas para resolução da problemática. É mister que o Ministério da Educação promova entendimento sobre o diálogo pacificador, em detrimento desta cultura, através de oficinas nas escolas em colaboração com o Conselho Federal de Psicologia, onde podem ser elucidadas situações de cancelamento e suas consequências, a fim de promover tolerância e empatia. Posto isso, o Tribunal do Santo Ofício contemporâneo poderá ser finalmente mitigado.