Linchamentos virtuais: o que motiva os atos e a gravidade desse comportamento na sociedade atual

Enviada em 20/12/2020

O filme “Aos Teus Olhos”, é retratada a história de um professor de natação que foi acusado de pedofilia por um de seus alunos pré-adolescentes. Na obra, o caso chega a proporções maiores nos meios digitais e o homem é muito julgado, mesmo que não haja provas. De maneira análoga, situações como essa são bastante presentes na realidade. Nesse âmbito, muitas pessoas são condenadas na internet por terem falado ou feito algo, ainda que não seja comprovada sua veracidade. Desse modo, elas se tornam seres atormentados, que não querem estabelecer contato com terceiros, por medo de serem constrangidos. Apesar de terem conhecimento da gravidade desses atos, muitos indivíduos continuam realizando linchamentos virtuais. Tal problemática persiste por raízes sociais e ideológicas.

Em primeiro lugar, é importante destacar que muitos se consideram melhores que os outros e, por isso, acreditam que têm o direito de utilizar suas palavras contra os demais. Nesse contexto, é estabelecida a cultura do cancelamento, na qual os cidadãos que têm atitudes não aceitas socialmente, não recebem permissão para se defender e são prejudicadas nos quesitos popular (são, muitas vezes, excluídas e expostas pela população) e financeiro (famosos perdem patrocinadores e deixam de vender). Dessa forma, segundo Hobbes, “o homem é o lobo do homem”, pois, com sua natureza má e egoísta, pensa só em si mesmo e pratica a repressão para causar malefícios ao próximo.

Além disso, outro fator a ser considerado é a teoria da sociedade do espetáculo de Guy Debord. Segundo essa ideia, o ser humano estaria agindo como se realizasse uma performance, sempre na tentativa de causar uma boa impressão ou agradar alguém. Desse jeito, ele não se deixa conduzir pelos seus próprios valores e sua personalidade, mas sim por aquilo que acredita que terceiros gostariam de ver ou ouvir. Assim, ele reprime atitudes vistas como erradas a fim de criar uma imagem de bom e correto para si mesmo. Logo, surge um ciclo vicioso de pessoas oprimidas por outras cujas atitudes são pautadas somente em interesses e superficialidade.

Observa-se, portanto, que as razões de ordem social e ideológica dificultam o combate aos linchamentos virtuais, que causam profunda tristeza e submissão àqueles que são humilhados. Destarte, medidas são necessárias para resolver esse impasse. A escola e a família devem se unir na boa educação das crianças para que elas criem bases que as permitam perceber além do espaço pessoal e ter empatia. Isso deve ser feito por intermédio de exemplos concretos e incentivos a ações desse tipo, ou seja, os pais e professores devem ensinar-lhes desde cedo a pensar no próximo, praticar boas ações e reagir de forma assertiva, a fim de que essas práticas se transformem em hábitos. Com essas atitudes, será possível a criação de um mundo com relações mais benéficas e saudáveis.