Linchamentos virtuais: o que motiva os atos e a gravidade desse comportamento na sociedade atual

Enviada em 14/12/2020

O episódio “Odiados pela nação”, da série americana Black Mirror, retrata ao longo da trama diversos crimes que tem ligação com mensagens de ódio nas mídias sociais. Fora da ficção à contemporaneidade, os linchamentos virtuais acoplados a ineficiência de políticas públicas, afetam a dignidade e a hostilização de pessoas na internet. Logo, urge que o Estado encontre meios para reverter esse cenário.

Em primeira análise, vale destacar que, de acordo com o filósofo iluminista Rousseau, todos os homens nascem bons, porém a sociedade o corrompe. Por conseguinte, tal contexto corrobora com o cenário apresentado, uma vez que, de imediato, essa cultura surgiu para cancelar pessoas que cometessem atos errôneos, como, por exemplo, um assédio ou exploração sexual. Posto isto, na atualidade não verifica-se a cultura empregada no passado, e sim em um viés de cancelar pessoas em detrimento de qualquer fator, como, um determinado artista que expressa sua opinião. Além disso, de acordo com a obra “1984”, do escritor George Orwell, no qual o indivíduo é convidado pelo Estado para expressar seu ódio em 2 minutos, a realidade que se faz presente atualmente se mostra utópica em relação a anterior, pelo fato que as pessoas gastam muito mais tempo nas redes sociais expondo seu ódio, se contrapondo ao contexto anterior.

Em segundo plano, ainda que tenha-se desenvolvido o “Twitter” no ano de 2006, com o intuito de facilitar e promover a interação social, na atualidade esse microblog é tido como um meio anti-social, pelo fato das constantes desavenças expostas nessa plataforma. Prova disso, são dados publicados pelo Jornal o Globo no ano de 2020, no qual deixa explícito que a cada 24 horas pessoas do mundo inteiro publicam cerca de 500 milhões de “Twitter”, os quais colocam em risco nome de empresas e de pessoas do mundo inteiro, como foi o caso do Youtuber Felipe Neto com a # “mãescontraofelipeneto”. Além do mais, o constante discurso de ódio contra o público alvo, pode gerar diversas consequências para esse público, como, por exemplo, a depressão e ansiedade em detrimento da agressão verbal. Portanto, para atenuar o cancelamento na internet, faz-se necessário que o Estado, em parceria com o Ministério da Educação, desenvolva projetos com debates e profissionais do meio digital, a fim de construir um novo pensamento e buscar desenvolver o princípio da alteridade, ou seja, ver a cultura do outro através de um primórdio igualitário. Ademais, os órgãos públicos junto a mídia, devem desenvolver vídeos que mostrem as consequências desse cancelamento sobre a população, além de “hashtag” que viabilize o maior número de pessoas, com o intuito de diminuir esse problemas diante da sociedade.