Linchamentos virtuais: o que motiva os atos e a gravidade desse comportamento na sociedade atual

Enviada em 14/12/2020

O filósofo clássico Émile Durkheim afirma que a sociedade é permeada de senso comum, e os que não se adaptam a ele, são excluídos e enferiorizados. Tal ideal, de maneira análoga ao meio virtual hodierno, é uma das motivações que os internautas encontraram para atacar uns aos outros, além da grande vontade de fugir desses esteriótipos, que fomentam um desejo de ter um momento de fama e destaque, nem sempre positivos. Esses fatores são primordiais para a grave situação em que as redes sociais se encontram.

Uma das grandes mazelas são os esteriótipos e a imposição, feita pela mídia, internet e a própria sociedade, de segui-los. As pessoas acharam justificativas para discriminar os que não correspondem ao padrão preconizado pelo senso comum, e transformam isso em rotina, como teoriza Pierre Bourdieu. Portanto, encontram formas de punir virtualmente minorias, grupos, ou pessoas específicas, tentam se defender utilizando da “liberdade de expressão” como forma de oprimir. Atacando, assim, a identidade de comunidades e, por conseguinte, o psicológico as vítimas.

O mundo pós década de 60 encontra-se na modernidade líquida, como pauta o sociólogo Zygmunt Bauman, em que as relações são frias e rasas. Os indivíduos fazem tudo para conseguir “cinco minutos de fama”, caracterizando uma sociedade de espetáculo. Essa teoria e análise do mundo é manifestada nos casos de linchamento virtual, em que a pessoa faz atitudes extremas, como ser intolerante e preconceituosa de propósito para conseguir atenção. As consequências de atos impensados, para o autor, são grandes críticas e ataques, destruindo relações interpessoais e a saúde mental tanto de quem fez os ataques, quanto de quem os recebeu.

Logo, a fim de que a mazela de intolerância e vontade do destaque, que geram linchamentos virtuais, sejam extinguídas, é mister que o Ministério da Saúde promova, em conjunto às esferas midiáticas, postos de atendimento virtual com psicólogos e psiquiatras qualificados, de modo a atender o maior número de pessoas, de todas as esferas sociais e idades variadas. Não obstante, urge ao Estado a administração da fiscalização de mensagens de atentados de ódio e preconceito, diminuindo-as da esfera virtual. Além disso, a transmissão de debates feitos por profissionais da área da sáude psicológica e desenvolvedores de aplicativos e midías, na TV aberta em horário nobre, com o fito de incentivar o diálogo no meio social sobre o linchamento. Dessa forma, o número de pessoas com consciência sobre o assunto aumentará gradativamente. Promovendo, dessa forma, um meio virtual saudável e seguro.