Linchamentos virtuais: o que motiva os atos e a gravidade desse comportamento na sociedade atual
Enviada em 15/12/2020
Ao terem seus telefones hackeados e seus dados pessoais roubados e expostos nas redes, os personagens principais da série mexicana “Control Z” sofrem agressões físicas, verbais e psicológicas dos outros alunos da escola a qual fazem parte. Hodiernamente, a realidade da sociedade atual não se distancia da retratada na ficção, já que inúmeras pessoas são atacadas por suas publicações na internet, podendo gerar graves consequências para a saúde do indivíduo. Com isso, cabe uma análise dos atos de linchamento virtual, tendo-se em vista o uso da internet e a violência nela propagada.
Em primeiro lugar, é importante pensar sobre o emprego da internet. De acordo com o sociólogo Zigmunt Bauman, as redes sociais são muito úteis e oferecem muitos serviços prazerosos, mas são uma armadilha. Nesse contexto, é possível refletir a respeito de até que ponto elas podem ser benéficas, uma vez que, como não há fronteiras no mundo virtual, qualquer pessoa pode expor a sua opinião sobre qualquer tema, identificando-se ou não. Assim, abre-se margem para a conversão de uma simples opinião em ataques ofensivos e ameaças brutais no que concerne a vida particular da vítima, as quais se configuram como crime, segundo a Constituição Federal de 1988.
Convém destacar, em segundo plano, a hostilidade presenciada no ciberespaço. Segundo o filósofo Jean Paul Sartre, a violência, seja qual for a maneira como ela se manifesta, é sempre uma derrota. Sob esse viés, o corpo social contemporâneo fracassa diariamente, em virtude das constantes agressões virtuais. Desse modo, seja quando restrito ao ambiente cibernético, seja quando é propagado para fora das telas, o discurso de ódio viola a Declaração Universal dos Direitos Humanos, na medida em que prejudica a saúde da vítima e pertuba o bem-estar social, abrindo margem para o ocorrência de perigosos distúrbios psicológicos e psiquiátricos, como ansiedade e depressão.
Diante dos fatos supracitos, fica evidente a necessidade de mudanças. É preciso, portanto, que o Ministério da Saúde aliado ao da Tecnologia, advirtam a sociedade sobre os entraves oriundos dos linchamentos virtuais, com o intuito de mitigar esse comportamento, através da criação de uma consiciência coletiva. Isso pode ser feito por meio do desenvolvimento de política públicas que elaborem palestras e divulguem propagandas sobre os imapactos desses atos na saúde dos indivíduos e também, sobre as punições previstas na Lei para os agressores. Somente assim, findar-se-á a realidade vivenviada pelos protagonista de “Control Z”.