Linchamentos virtuais: o que motiva os atos e a gravidade desse comportamento na sociedade atual

Enviada em 20/12/2020

A partir da segunda metade do século XX, a Terceira Revolução Industrial foi responsável por um conjunto de avanços técnológicos e acúmulos de informações, as quais precisaram ser organizadas, o que gerou o aprimoramento da informática. Concomitantemente, a internet faz parte do cotidiano da sociedade hodierna e influencia o seu comportamento, como no caso dos linchamentos virtuais, haja vista que o ciberespaço permite a expressão de opniões e pensamentos, os quais são julgados com atos graves motivados pela personificação de problemas sociais em discursos individuais e pela ilusão de que  o usuário tem todas as esferas de poder em suas mãos ao estar online.

A priori, deve-se abordar que, quando alguém se posiciona na internet, os demais usuários estão propensos a atrelar esta expressão à um problema social, o que gera uma personificação, a qual leva à atitudes violentas. Com isso, vale como exemplo o caso publicado no jornal El País, em que uma jovem foi virtualmente linchada após expor, no twitter, sua fantasia de halloween, a qual fazia referência às vítimas do atentado na maratona de Boston em 2013. Em suma, percebe-se que o ato da mulher foi errado, no entanto, o grande problema foram os danos morais e psicológicos sofridos por ela devido a repercussão. Logo, conclui-se que os internautas depositaram, figurativamente, a culpa da tragédia na moça, que foi penalizada de maneira literal.

Outrossim, é importante explanar a liberdade de julgamento dentro do ambiente virtual, o qual, ilusóriamente, possibilita que qualquer pessoa se coloque como legislador, fiscalizador e executor de penalidades diante de qualquer comportamento online. Analogamente, esse viés corrobora-se pela obra de Michel Foucault intitulada “Vigiar e Punir”, a qual afirma que o governo tem o poder sobre a sociedade a partir de instituições disciplinares embutidas na vida das pessoas, como a internet. Sendo assim, os indivíduos são controlados, de modo que o poder é subjetivado e um grupo corrige os outros ao subjulga-los com mecanismos coercitivos, que, neste caso, se exemplificam no linchamento virtual.

Portanto, medidas precisam ser tomadas para que esta violência online não cause mais danos reais. Assim, o Governo e os veículos da informação devem, respectivamente, regulamentar o ciberespaço e investir em estratégias que eduquem os internautas à não tomarem atitudes graves frente aos conteúdos publicados. Isto pode ser realizado por meio de novas leis, fiscalizações e penalidades às pessoas que fizerem ameaças, xingamentos e exclusão social através da internet. Bem como, a partir de campanhas midiáticas, as quais mostrem que os posts individuais não são responsáveis por um problema social, apesar de poder intensificá-los, a fim de impedir casos de linchamento virtual. Somente assim, os benefícios do surgimento da informática não serão ofuscados por esta problemática.