Linchamentos virtuais: o que motiva os atos e a gravidade desse comportamento na sociedade atual
Enviada em 16/12/2020
A Constituição de 1988, documento jurídico mais importante do país, prevê em seu artigo 6 º, o direito à segurança como inerente a todo cidadão brasileiro. Conquanto, tal prerrogativa não tem se reverberado na prática quando se observa o linchamento virtual e suas consequências, o que dificulta, deste modo, a universalização desse direito social tão importante. Diante dessa perspectiva, faz-se imperiosa a análise das causas e efeitos da problemática.
Em uma primeira análise, deve-se ressaltar que a cultura dos ataques sociais vem se tornando um tipo de justiça popular no Brasil. De acordo com autor Edimar de Freitas, o problema da justiça com as próprias mãos, é a definição de justiça de cada um. Sob esse viés, basta que uma atitude seja entendida como politicamente incorreta, e multidões vêm como justiceiros, mostrando que aquilo não pode ser feito, como se fosse uma luta do bem contra o mau, sendo usado como desculpa a impunidade por setores oficias. Dessa forma, essa atividade é ainda mais encorajada pela invisibilidade e anonimato na internet.
Ademais, é considerável ressaltar o impacto das consequências desses feitos. Segundo Victor Hugo, as palavras têm a leveza do vento e a força da tempestade. Sendo assim, os linchadores virtuais não têm empatia para analisar as consequências que suas vítimas podem ter, como complicações na sua vida profissional, danos morais, ameaças de morte. Também como consequência, é de se pensar o fato dos linchadores considerarem aquilo que o outro fez inaceitável e o que eles fizeram justificável. Desse modo, a internet que poderia ser um ambiente para construção de conhecimento, tem se tornado palco de guerra.
Portanto, são necessárias medidas capazes de resolver o impasse. Para isso, cabe à Secretaria de Segurança Pública ampliar a fiscalização do discurso de ódio e ataques nas redes sociais, por meio da simplificação da denúncia desses atos, para que esse tipo de ação seja repreendida e rigorosamente punida por aqueles praticados. Junto a isso, é necessário que o Governo Federal, por intermédio de investimentos em medidas educacionais, incentive palestras em escolas e comerciais online sobre as consequências do poder da palavra, para que a população tome cautela ao expressar suas opiniões na web. Assim, se consolidará uma sociedade em que o Estado desempenha corretamente seu papel, como ecrito na Constituição de 1988.