Linchamentos virtuais: o que motiva os atos e a gravidade desse comportamento na sociedade atual

Enviada em 18/12/2020

Gilberto Gil, em sua música “Pela internet”, louva a quantidade de informações disponibilizadas pelas redes aos seus usuários. No entanto, embora a internet seja uma ferramenta fundamental para o equilíbrio das relações do século XXI, os linchamentos virtuais, fenômeno recorrente nas redes sociais, é uma problemática que não só é prejudicial aos internautas, mas também seus efeitos - os quais são muitas vezes banalizados pelo corpo social -, podem atingir negativamente uma grande parte das massas. Dessa forma, é mister discutir acerca da motivação desses atos e sua grave influência para o corpo social, bem como o papel dos meios de comunicação em sua ampliação e recorrência.

Em primeira análise, é necessário abordar a relação prejudicial dos linchamentos virtuais para com a sociedade. De maneira análoga ao filósofo polonês Zygmunt Bauman: “Na sociedade contemporânea emergem o individualismo, a efemeridade e a fluidez das relações”. Hodiernamente, essa conduta é potencializada, essencialmente no Brasil, pela facilidade encontrada - por alguns internautas nos meios cibernéticos de comunicação, de disseminarem sua opinião -, a qual é muitas vezes motivada por discursos de ódio, a fim de ferirem, infelizmente, a dignidade de outros indivíduos, o que evidencia a ideia do pensador. Tal fenômeno, além de auxiliarem na construção de preconceitos e da ampliação da segregação, também contribuem para a não “frutificação” de relações sociais baseadas na empatia e na alteridade entre seres humanos. Assim, é fundamental a mitigação dessa problemática.

Além disso, segundo o pensamento de Immanuel Kant, filósofo moderno, o indivíduo só atinge a maioridade quanto sintetiza a possibilidade de agir com sua própria razão. Não obstante, a mídia e os meios de comunicação, os quais vão muito além das redes sociais, ao auxiliarem na disseminação de ideais que possam incitar linchamentos, fundamentalmente no âmbito virtual, seja por meio da televisão ou da internet, obrigam os indivíduos que sofrem com as consequências desses atos a permanecerem em estado de menoridade. Com efeito, embora seja uma questão contemporânea, por ser muito banalizada pela sociedade,  permanece  atuante na vida dos indivíduos que sofrem com sua diligência.        Infere-se, diante do exposto, que medidas são fundamentais para mitigar as óbices discutidas. Para tanto, o Estado, em parceria com o Ministério da Educação, deve buscar ampliar a construção de um maior senso crítico nos cidadãos acerca das consequências ocasionas pelos linchamentos virtuais na contemporaneidade. Isso deve acontecer por meio de uma educação para a mídia e para a diferença, a qual deve entrar na grade curricular dos alunos do ensino médio e, deve ser ministrada por profissionais qualificados na área de sociologia e de geopolítica, a fim de quebrar barreiras sobre o tema e atingir um público maior. Assim, o pensamento de Bauman não será mais uma realidade brasileira.