Linchamentos virtuais: o que motiva os atos e a gravidade desse comportamento na sociedade atual
Enviada em 15/01/2021
Historicamente, os linchamentos populares estão presentes na sociedade. Isto é, há décadas, em algumas cidades brasileiras ainda ocorre o linchamento simbólico de Judas. Além disso, a cultura dos justiceiros atrelada à impunidade, torna os linchamentos virtuais uma herança nociva para os cidadãos atuais e, ainda mais, para as gerações futuras, já que as consequências serão sentidas por muitas gerações, caso o cenário não seja remediado.
Em primeira análise, na composição “Desconstrução”, Tiago Iorc aponta “nas aparências todas tão iguais. Singularidade em ruínas” , o que ratifica a homogeneidade dos usuários das redes sociais, descrita na canção que propõe ser o espelho atual da música “Construção” de Chico Buarque. Nesse sentido, a homogeneidade aparente nas redes cria tensão quando alguém dá um passo fora do padrão. Similarmente, o episódio “odiados pela nação” da série Black Mirror, mostra um cenário no qual os linchamentos virtuais alcançaram outro nível, pois os usuários têm poder de escolher quem merece morrer. Essa frieza só pode ser explicada através do conceito de despersonalização de quem está do outro lado da tela, visto que as consequências nem sempre são perceptíveis para quem ataca.
Ademais, de acordo com Leonardo Goldberg, doutor em psicologia pela Universidade de São Paulo, “os efeitos são os mesmos que se fosse fora da internet”. Isso demonstra que uma vítima dessa prática pode sofrer de depressão, ansiedade e outras doenças atreladas ao bullying. Ainda que os usuários não possam escolher quem vive e quem morre, como em Black Mirror, muitas vidas podem ser destruídas por conta dessa prática. Para se ter uma noção, a Polícia Civil aponta que a difamação está entre os três crimes cibernéticos mais recorrentes. Dessa forma, medidas mais eficientes devem ser tomadas, a fim de garantir respaldo às vítimas e punição justa aos infratores.
Em suma, os linchamentos virtuais devem receber atenção extra dos responsáveis, tendo em vista as consequências duradouras para sociedade. A priori, o Governo Federal deve instaurar leis mais abrangentes de crimes cibernéticos, usando como exemplo países que obtiveram sucesso com a problemática, visando punições proporcionais e reais, como penas de reclusão e indenizações às vítimas. A posteriori, as empresas de redes sociais, como o Facebook, Twitter e Reddit, devem criar um banco de dados em conjunto para marcar usuários que cometerem infrações graves, a fim de dificultar o acesso do infrator à vítimas em potencial. Essas medidas podem contribuir significativamente para uma cultura real e virtual mais sadia para as gerações futuras.