Linchamentos virtuais: o que motiva os atos e a gravidade desse comportamento na sociedade atual

Enviada em 29/12/2020

No livro “Nem vem que não tem: a vida e o veneno de Wilson Simonal”, o autor Ricardo Alexandre retrata, entre outras coisas, as consequências do primeiro “cancelamento” do Brasil, gerado por uma notícia falsa de que Simonal seria um delator da ditadura de 1972. Fora das páginas, é fato que os linchamentos virtuais se tornaram muito frequentes no meio cibernético brasileiro. Nesse contexto, convém destacar o crescimento das redes sociais como um dos motivadores de tal ato e salientar a gravidade desse comportamento, gerador de inúmeros efeitos na vida da vítima.

Em primeiro lugar, é importante destacar que o crescimento das redes sociais contribui muito para a amplificação dos casos de linchamento virtual no Brasil. De acordo com o sociólogo e filósofo polonês Zygmunt Bauman, a sociedade do século XXI vive a chamada “modernidade líquida”, na qual tudo e todos que não se encaixam em um padrão preestabelecido pelo corpo social são descartados e/ou marginalizados. Nesse sentido, o indivíduo que realizar algum ato julgado condenável por seus seguidores será excluído da vida pública, a começar pela rede social.

Por consequência, a vítima é duramente afetada, evidenciando a gravidade dessa conduta. Para ilustrar, tem-se o caso da blogueira Alinne Araújo que, após ter decidido casar-se consigo mesma, sofreu duras críticas virtualmente, tendo tirado sua própria vida em decorrência disso, posteriormente. Sendo assim, fica explícito o impacto negativo que os atos de linchamento virtual trazem para a sociedade contemporânea.

Portanto, é mister que o Estado tome providências para atenuar o quadro de linchamentos virtuais no Brasil. Por conseguinte, o Ministério das Comunicações deve, por meio de parcerias com empresas de telecomunicação, veicular palestras em canais abertos de televisão, alertando para o quão desfavorável as manifestações de ódio virtuais podem ser para a sociedade em seu conjunto, com discursos de profissionais da área da psicologia, tecnologia e justiça. Somente assim, casos semelhantes ao de Wilson Simonal deixarão de ocorrer no Brasil.