Linchamentos virtuais: o que motiva os atos e a gravidade desse comportamento na sociedade atual

Enviada em 27/12/2020

As redes sociais, inicialmente criadas com o objetivo de servir como um meio para a socialização virtual, já possuem tantos usuários que torna-se impossível não serem vistas como um espaço tóxico de linchamento e ódio virtual. Redes midiáticas como o Twitter já não se afastam muito da realidade retratada no episódio “Odiados pela Nação” da série televisiva Black Mirror, no qual os usuários de uma rede social desejam a morte de pessoas por simplesmente não gostarem ou discordarem delas, através de uma hashtag.

Esse cenário acontece, muitas vezes, porque a internet tem sido um local de voz para os movimentos sociais, com muita circulação de ideologias de diferentes vertentes. Portanto, os adeptos desses valores, ao verem algo que discordam ou acham errado, partem logo para o discurso de ódio, e não para a discussão saudável, como o método de debate proposto por Sócrates. Um exemplo, em 2020, foi a famosa autora da saga Harry Potter, J.K Rowling, que foi acusada de fazer comentários preconceituosos a transsexuais. Entretanto, ao invés de ter seus comentários construtivamente criticados, a escritora recebeu uma série de “cancelamentos” - ataques virtuais, na linguagem da internet -, o que certamente não modificaria em nada no seu pensamento.

Além disso, as consequências desses atos podem ser muito graves, podendo ir desde demissões do emprego, transtornos psicológicos a até mesmo suicídios, devido a tanta pressão e ódio recebidos. Um exemplo trágico aconteceu com a cantora e atriz sul-coreana Sulli, que sofria de depressão devido aos diários ataques virtuais que a artista recebia, até que cometeu suicídio em 2019. O motivo do cyberbullying era o banal fato de Sulli ser bastante aberta sobre suas crenças feministas, o que ainda é visto como um absurdo em uma sociedade tão conservadora como a da Coreia do Sul.

Apesar disso, a internet, assim como qualquer outra tecnologia, pode ser extremamente benéfica, assim como defendem filósofos positivistas como Descartes e Comte, desde que seu uso seja feito de forma saudável. Já que isso não ocorre, urge ao Governo Federal a criação de propagandas, por meio de anúncios na internet e de outros meios de comunicação, a fim de conscientizar a população sobre seus direitos na Lei dos Crimes Cibernéticos, lei esta em que os agressores podem ser processados, mesmo com muitos nem sabendo sobre sua existência. Assim, com os humilhadores pagando por seus crimes, a internet pode caminhar a rumo de se tornar um lugar menos nocivo.