Linchamentos virtuais: o que motiva os atos e a gravidade desse comportamento na sociedade atual

Enviada em 21/06/2021

‘‘Detendo o poder  e certo da impunidade, o homem se sente deus entre os homens". Citando uma frase do filósofo grego Platão, podemos exemplificar perfeitamente como se comportam os autores dos linchamentos que acontecem no meio virtual no Brasil e pelo mundo. Certas do poder que carregam com um simples clique e da impunidade gerada pela abrangência do acontecimento, se tornam opressores ferozes e sem limites. Nesse sentido, devemos analisar tal quadro, intrinsecamente ligado ao anonimato virtual e à intolerância.

Atualmente, observa-se o aumento expressivo do que chamamos de “a cultura do cancelamento”, tendo em vista que casos e mais casos vem surgindo à tona diariamente. Movimento que começou como uma forma de chamar atenção para todo tipo de injustiça e para preservação ambiental, se tornou uma arma nas mãos de pessoas espalhadas pela rede. Prova disso, é os ataques que vem atingindo não só famosos, mas também todos os tipos de pessoas que cometem algum tipo de ação que contradiga algo dado como o certo para determinado grupo. Tendo como principal estímulo o anonimato virtual, pois, da aos indivíduos que praticam esse ato a falsa segurança de que não serão responsabilizados, seja através de perfis fakes ou por pensarem que são só mais um, no meio dentre muitos outros.

Ademais, a intolerância praticada por meio desses atos trazem consequências devastadoras dependendo de cada vítima. Como o que aconteceu com a  Fabiane Maria de Jesus, no Guarujá,  que foi morta por várias pessoas por suposto envolvimento com magia negra e sequestro de crianças, boatos que começaram com uma foto na internet e relatos falsos de testemunhas. Dessa maneira, vemos que o linchamento virtual ligado ao sectarismo, trazem além de violência moral, males para o mundo real, onde alcança implicações físicas e provoca todas as formas de adoecimento, como a depressão e crise de pânico. E que para muitos não há uma segunda chance, como o caso supracitado.

Pode-se perceber, portanto, que medidas públicas são necessárias para alterar esse cenário. É fundamental que o governo federal, por meio do Ministério da Justiça e Segurança Pública, projetem um órgão no intuito de localizar e punir os transgressores que agem de forma anônima nas redes sociais. Fazendo com que esse anonimato não sirva mais como pressuposto de impunidade. Além disso, o Ministério da Educação, por meio de programas educacionais, levem palestras até às escolas e também usem de campanhas publicitárias com informações sobre esse crime e suas inferências. Mostrando para a sociedade que não há espaço para a intolerância, que não ocorrera a banalização dessa prática  e que todos são  responsáveis pelos seus atos, sendo ele na vida real ou virtual.