Linchamentos virtuais: o que motiva os atos e a gravidade desse comportamento na sociedade atual
Enviada em 07/01/2021
Na obra “Utopia”, do escritor Thomas More, é retratado uma sociedade perfeita, na qual o corpo social padroniza-se pela ausência de problemas e conflitos. No entanto, o que se observa na realidade contemporânea brasileira é o oposto do que o autor prega, uma vez que há o linchamento virtual, o qual dificulta a concretização dos planos de More. No tocante a isso, esse problema é causado principalmente pela omissão governamental e pela normalização desse comportamento.
Em primeiro lugar, é lícito ressaltar que é nítida a falta de investimento em educação e em segurança no Brasil. Sobre isso, segundo o sociólogo Zygmunt Bauman, os cidadãos foram abandonados aos seus próprios recursos. Em relação a isso, o governo não oferece assistência básica para combater os linchamentos virtuais, já que não conscientiza a população sobre os impactos das palavras selvagens. Desse jeito, pela falta de conhecimento, continuam a ser realizados os ataques e as ameaças por grupos sociais que não toleram o não perfeccionismo social e, por isso, culpam e fazem do indivíduo que cometeu um erro publicamente o próprio mal da sociedade, até que ocorra o seu cancelamento virtual. Além disso, a autoridade não dispõe de nenhum recurso de segurança para conter a violência na internet, como o uso de leis que penalizam esses crimes. Logo, a omissão governamental acentua esse empecilho.
Ademais, é fundamental apontar que há, como impulsionadora do problema, a normalização desse comportamento. Referente a isso, no conceito “Banalidade do mal”, criado pela socióloga Hannah Arendt, quando uma atitude incorreta é feita constantemente, as pessoas param de vê-la como errada. Ao aplicar a essa questão com o espetáculo violento midiático, em que as pessoas com o mesmo pensamento se unem e usam discursos de ódio contra uma pessoa que expõe uma ideia inversa, pela sua repetição diária, é considerado comum na comunidade digital. Visto isso, os espectadores não apresentam aversão às ofensas e até podem ter o desejo de participar e se juntar aos grupos para fazer comentários maldosos a um ser. Dessa forma, não levam em consideração as consequências negativas na saúde mental das vítimas que recebem regularmente ataques sociais, como a formação de ansiedade e depressão. Assim, é inadmissível que esse cenário permaneça.
Diante do exposto, é preciso minimizar o impasse. Então, é essencial que o Ministério da Educação, como instância máxima de administração executiva da área educativa, conscientize a população geral sobre o mal da agressão virtual, por meio de palestras em ginásios públicos e lives em plataformas digitais. Portanto, tem como finalidade cessar os linchamentos cibernéticos, com o intuito de garantir os direitos à educação e à segurança evidenciados na Constituição de 1988. Só assim, o país poderá evoluir.