Linchamentos virtuais: o que motiva os atos e a gravidade desse comportamento na sociedade atual

Enviada em 15/01/2021

No século XVIII, pelo viés dos registros históricos, a França vivia um período em que imperava uma conjuntura social desigual e opressora, nesse cenário, ideários, como igualdade, liberdade e fraternidade alicerçaram uma mudança radical ocorrida naquela sociedade, conhecida como “Revolução Francesa”. Todavia, na internet, observa-se a ausência desses ideais no que se refere à questão dos linchamentos virtuais; comportamento exercido na sociedade atual. Nesse contexto, emerge uma problemática delicada em virtude da falta de empatia alimentada por déficits no ensino.

Sob essa lógica, deve-se, em primeiro lugar, atentar para o egocentrismo como motivador dos linchamentos virtuais. Sob esse viés, o sociólogo polonês Bauman afirma que a sociedade atual é fortemente pautada no egoísmo, nesse sentido, nota-se no mundo cibernético atitudes firmadas nesse sentimento, seja em comentários ou vídeos com temáticas odiosas, a exemplo, em 2016, o site G1 denunciou o caso de uma estudante paulista que estava, por meio de uma rede social, incitanto repúdio aos nordestinos, especificamente. Embora a estudante tenha sofrido as consequências de seus atos, como demição de seu emprego, tal caso se configura como uma exceção, visto que a prática da denuncia ainda não é atitude cristalizada pela sociedade hodierna. Nesse cenário, a maldade humana encontra na ausência legislativa terra fértil para prosperar.

Além disso, métodos educacionais insatisfatórios silenciam a gravidade desse comportamento na sociedade atual. A respeito disso, Kant conceitua que o ser humano é aquilo que a educação faz dele, contudo, é possível observar nas escolas um ambiente onde impera a falta de debates, aulas e programas voltados para a instrução do combate à linchamentos virtuais e suas consequências. Decerto que o ódio virtual pode vir a ultrapassar o mundo cibernético e causar danos na realidade, para José Martins de Souza, sociólogo e professor da Universidade de São Paulo, os danos irreparável que linchamentos virtuais causam, afetam tanto na vida social quanto na pessoal; é um rico que essa geração hiperconectada corre, afirmou o sociólogo em entrevista ao site G1. Desse modo, usuários de redes socias ficam vulneráveis a essa mazela social.

Portanto, urge que medidas para conter linchamentos virtuais, suas causas e consequênicas sejam adotadas. Para isso, escolas devem promover rodas de conversas, com a presença de psicológos, a fim de instruir alunos para evitarem e de que forma denunciar caso se deparem com casos do tipo. Tais eventos podem ocorrer no período extraclasse e não devem ser restritos aos discentes, mas abertos a comunidade para ampliar a gravidade e urgênica da temática. Dessa forma, possivelmente, as concepções transformadoras da Revolução Francesa poderão ser verificadas na atualidade.