Linchamentos virtuais: o que motiva os atos e a gravidade desse comportamento na sociedade atual
Enviada em 16/01/2021
De acordo com a Declaração Universal dos Direitos Humanos, “todos as pessoas nascem livres e iguais em dignidade e direitos”. Nesse sentido, o linchamento virtual vai de encontro ao referido documento, posto que humilha e exclui membros da sociedade. Desse modo, urge compreender as motivações desse comportamento, bem como seus efeitos no globo, a fim de que possa ser remediado.
Em primeira análise, as ofenças praticadas na internet são motivadas pelas ideias extremistas presentes hodiernamente em todo o mundo. Essa tese é defendida pelo documentário “O Dilema das Redes” (2020), no qual profissionais que desenvolveram redes sociais como o Twitter e o Instagram alegaram que os algorítmos desses sites são programados para segregar os usuários em “tribos virtuais”. Ou seja, os internautas têm cada vez menos contato com pessoas que possuem pensamentos distintos de suas próprias ideias. Com isso, formam-se o que ativistas Mariana Torquato, que possui o maior canal sobre capacitismo no Brasil, chamam de “bolhas sociais”: ambientes virtuais nos quais temas específicos são aprofundados para um pequeno grupo de pessoas, mas não há diálogo com outros grupos. Assim, nos raros momentos em que duas bolhas se encontram, alguns internautas interagem de forma rude, ofendendo as pessoas que compõem a bolha oposta.
Em segunda análise, a “Cultura do Cancelamento”, termo cunhado para ressaltar a segregação no mundo virtual, é extremamente danosa na sociedade atual. Segundo a Organização Mundial de Saúde, a depressão é a principal causa de incapacitação profissional em todo o globo. Dessarte, o linchamento na internet prejudica a saúde mental e pode causar danos irreparáveis. Conforme o ativista Spartakus Santiago, que viveu essa situação e ainda sofre com os danos decorridos dela, nenhuma pessoa merece ser “cancelada”, pois, dessa forma, o debate é aniquilado e o ataque é transferido do mundo das ideias para os indivídios que as proferem. Esse discurso vai ao encontro da tese defendida pelo Dr. Goldberg, pscólogo pela Universidade de São Paulo, o qual defende que o verdadeiro debate se faz quando ideias são atacadas, não pessoas.
Portanto, como a internet permeia todas as nações, é necessário que se enfrente a questão das relações entre os internautas no âmbito internacional. Para tanto, é preciso trabalhar o conceito de Ética Planetária, desenvolvido por Edgar Morin, que consiste na construção de uma ética que beneficia a todos os cidadãos do mundo. Para isso, a Organização das Nações Unidas deve promover discussões entre os países para estabelecer metas que reduzam a violência nas relações virtuais. Essas metas podem ser incluídas, por exemplo, na Agenda 2030, com o fito de garantir que a internet volte a ser um ambiente em que todas as pessoas têm voz e todos os cidadão são iguais em dignidade e direitos.