Linchamentos virtuais: o que motiva os atos e a gravidade desse comportamento na sociedade atual

Enviada em 10/03/2021

Na série “Merlí”, Mónica, uma aluna novata da sala dos “peripatéticos”, é discriminada e se torna alvo de piadas virtuais no colégio após seu ex namorado tornar pública suas fotos íntimas. De maneira ánaloga, situações similares a essa são muito comuns, o que, por vezes, pode dar origem aos linchamentos cibernéticos. Nesse sentido, em razão de uma educação deficitária e da banalidade presente nas redes sociais, emerge um problema complexo, o qual precisa ser revertido.

Diante desse cenário, a baixa qualidade do sistema educacional é um grave fator para a persistência da violência digital. Nesse viés, consoante Paulo Freire, sem educação, a sociedade não muda. Sob essa lógica, se há um obstáculo social, há uma lacuna educacional. Diante disso, no que tange à grande presença de agressão verbal no meio digital, percebe-se que a escola não cumpre o seu papel no sentido de prevenir e reverter os impasses coletivos, uma vez que não aborda esses conteúdos nas salas de aulas. A disciplina de Filosofia, por exemplo, poderia fazer uma comparação entre os justiceiros da web e os Sofistas, já que ambos estão mais preocupados em ganhar notoriedade ao vencer uma discussão — ato conhecido como lacrar — a fazer o povo alcançar a verdade absoluta ou chegar a uma conclusão de modo pacífico. Logo, enquanto a passividade do ensino se mantiver, o mundo será obrigado a conviver com um dos mais graves problemas para Freire: a ignorância coletiva.

Ademais, vale ressaltar que a liberdade nas redes sociais é algo que proporciona a manutenção desses atos. Sob esse ângulo, conforme o jornalista Carlos Heitor Cony, a internet é poluidora, não no sentido ecológico — mas no espiritual. Sendo assim, ao se observar o comportamento dos internautas, nota-se que a ideia de Cony é real, uma vez que uma boa parcela deles, no Instagram, por exemplo, agem como justiceiros que combatem o mal, enquanto xingam e menosprezam outros indivíduos que possuem ideologias diferentes, mas desconsideram a ideia de que as pessoas não são uma opinião e que todos têm defeitos, o que aumenta a toxicidade do meio digital. Assim, ao passo que a violência for sinônimo de lacração, inevitavelmente, haverá intolerância.

Infere-se, portanto, que o Ministério da Educação, enquanto regulador das práticas educacionais do país, modifique a mentalidade das novas geraçãos, por meio de projetos pedagógicos, que estimulem os alunos a desenvolver uma maior empatia ao outro, a fim de tornar o ensino mais ativo. Por sua vez, os administradores dos meios de comunicação virtual precisam criar contas, que mostrem as normas de boa convivência no mundo cibernético, através de publicações, com a finalidade de garantir a harmonia entre os internautas. Dessa forma, espera-se extinguir os linchamentos virtuais e suas vertentes, assim como os casos semelhantes aos de Mónica.