Linchamentos virtuais: o que motiva os atos e a gravidade desse comportamento na sociedade atual

Enviada em 09/04/2021

As mídias virtuais são plataformas que ascenderam no século atual, facilitando então a externação de pontos de vista e ideias de forma perigosa. Parte desse risco, dá-se pelo senso de retidão de uma sociedade já farta de injustiças e com a necessidade de corrigir situações com as próprias mãos, o que na maioria dos casos pode prejudicar a integridade não só dos envolvidos, mas também da causa a ser defendida. Por esta razão, essa é uma problemática que deve ser discutida e solucionada.

Indubitavelmente, o passado e até mesmo o presente da humanidade é repleto de desigualdades e calamidades que nunca serão esquecidas. Em virtude disso, os meios sociais estão passando por uma onda de conscientização, pois há uma linha tênue entre a liberdade de expressão e o ato de ferir algo, alguém ou um movimento, seja ele de cunho racial, social, de gênero, orientação sexual, etc. Por isso, ridiricularizar situações relevantes desperta a sede de justiça que muitos sentem, o que pode ser o estopim para um linchamento virtual.

Deste modo, fica nítida a inabilidade coletiva de lidar com o erro. Tal incapacidade afeta todos os lados das partes envolvidas. De acordo com a psicóloga e doutora em sociologia pela UFMG, Cristina Cypriano, que deu entrevista para o jornal O Beltrano, os efeitos desses ataques costumam alcançar implicações físicas e provocam adoecimentos. Segundo ela, parte desse problema está atrelado à desproporcionalidade entre o erro do internauta e a forma como o restante das pessoas reage a ele.

É também de suma importância esclarecer que essas punições sociais além de não darem bons resultados, podem manchar o nome de lutas extremamente relevantes no mundo atual e abrir espaço para críticas e conflitos que estratificam e separam ainda mais a sociedade, sanando todas possibilidades de uma troca de experiência e aprendizado coletivos.

Diante do exposto, cabe a cada pessoa inserida na internet tomar para si a responsabilidade de respeitar a subjetividade de todos e agir com prudência ao se deparar com “posts” não agradáveis. É igualmente necessário que, ao encontrar publicações que firam os direitos humanos, sinta-se livre para denunciá-las ou apresentá-las para um poder superior, excluindo a necessidade de agir por si próprio. Ademais, o Estado pode desempenhar um papel importante nestas situações, conscientizando a população por meio de publicações, abrindo espaço para debates e convocando profissionais para discorrer e levar informações fundamentais para que essa nociva situação seja erradicada.