Linchamentos virtuais: o que motiva os atos e a gravidade desse comportamento na sociedade atual

Enviada em 14/04/2021

Dentre as muitas percepções veementes de Victor Hugo, expostas no livro intitulado “As contemplações”, está a de que “o progresso da roda constante sobre duas engrenagens: faz andar uma coisa esmagando sempre alguém”. Ao transcender estas palavras do poeta, dramaturgo e político francês para o cenário de causas e consequências dos linchamentos virtuais, vemos os “cancelamentos” como arma propulsora do ódio e da intolerância. Sendo assim, a conjuntura de historicidade do individualismo absoluto e da cultura da opinião desmedida acaba por explicitar ainda mais este conflito. Entretanto, deve-se ajustar determinadas engrenagens, na máquina social, para mitigar este problema.

Ao longo da história, a humanidade presenciou diversos episódios de arrogância e soberba humana, a fins de exemplificação, cita-se o fascismo italiano que teve seu ápice na 2º Guerra Mundial. Este regime totalitário fundou suas raízes no objetivo de supremacia de uns, em detrimento da liberdade de outros. Não díspar, as ações virtuais de crítica, opressão e condenação têm como intenção a individualidade, o julgamento e a destruição de imagem social de uma determinada vítima. Não levando-se em consideração o ser humano, passível de erro, como merecedor de ponderamento e respeito.

Ademais, é importante a reflexão sobre a “cultura de opinião” que estamos imersos, a qual instiga a valorização da opinião de cada indivíduo, a respeito das ações de outras pessoas no mundo virtual. Contudo, a percepção de uma parcela dos usuários das redes sociais, acerca da liberdade de expressão, é errônea, pois pauta-se por uma falsa autorização para lançar suas ideologias, sem antes refletir sobre os impactos que elas podem causar. À vista disso, é intuitivo a inobservância da Constituição Federal de 1988, em que é descrito no Artigo 5º o direito irrefutável à liberdade de expressão ponderada, tendo suas barreiras onde a liberdade do outro começa. Posto isso, é estritamente necessária uma intervenção social de equidade nesta problemática.

Em virtude dos fatos expostos e em consonância às palavras aqui pautadas, conclui-se que o ato do cancelamento na internet, serve como impulsionador de ideias distorcidas de liberdade e julgamento. Assim, para ajustarmos essas “engrenagens”, é primordial que as escolas juntamente com as famílias, incentivem a criação de projetos colaborativos entre os alunos, em que seja propiciado a eles atividades em grupo, tendo por objetivo a criação de empatia, respeito e cooperação, sendo que, para custear essas atividades extracurriculares, sejam criadas parcerias público-privadas na defesa do ser humano. Quando conseguirmos alinhavar empatia e sociedade, engrenagens essenciais para o convívio dos seres humanos, tornar-nos-emos moralmente evoluídos.