Linchamentos virtuais: o que motiva os atos e a gravidade desse comportamento na sociedade atual
Enviada em 23/04/2021
Os avanços tecnológicos foram propulsores para o progresso da sociedade, fornecendo um rápido acesso a informações e dando voz para uma população, contudo, a má utilização da internet tem se tornado frequente no cotidiano, visto que o senso de justiça invadiu a geração Z, e essa, iniciou uma série de linchamentos virtuais, impondo a ideia do certo e do errado através da nova cultura do cancelamento, influenciada pela preguiça intelectual e o desejo de aceitação no novo meio.
Primeiramente, uma menção da relatividade entre a cultura do cancelamento e a “caça às bruxas”, iniciada no século XV, final da Idade Média, se faz necessária, uma vez que ambas sujerem uma perseguição a todos que distanciam-se do padrão intelectual idealizado pela sociedade, todavia, o encalço hodierno é obtido pela web com a utilização de palavras, por muitas vezes ofensivas, levando ao linchamento, tornando evidente a estagnação do pensamento da humanidade em relação a diferença de opiniões e a incapacidade de lidar com a extensa liberdade.
Vale ressaltar que o mundo contemporâneo está vivendo uma fase transitória, em que o ideal exclusivo da antiguidade é deixado de lado para uma perspectiva ampla, visando a mudança do julgamento entre bem e mal, estabelecendo-se na zona cinzenta, onde todos os possuem ambos. No entanto, a preguiça de buscar informações leva a pessoa ao posicionamento errôneo e retrógrado, baseado em fontes duvidosas e opiniões alheias, que dificultam essa passagem do velho ao novo, motivando-os a se expressarem sem o devido conhecimento.
Segundo o filósofo Jean Jacques Rousseau, “a natureza fez o homem feliz e bom, mas a sociedade deprava-o e torna-o miserável”, exemplificando, o campo virtual influencia os cidadãos a aderir o cancelamento, em virtude de ganharem status através de um raciocínio e frases bonitas, apesar de que grande parte dos internautas apenas compartilham posicionamentos alheios para se sentirem incluídos no ambiente, sem pensar nas consequências dos atos, que muitas vezes geram problemas psicológicos para as vítimas de perseguição virtual, já que essa recebe comentários maldosos e até mesmo ameaças de morte, causando um terrível dano apenas com palavras, pois não medem a força delas.
Portanto, cabe ao Ministério da Justiça uma intervenção pelo meio computacional, analisando o fato de que é considerado crime atos de difamação e calúnia, sendo necessária uma remodelação das redes sociais, onde certas palavras são proibidas e os usuários que transmitissem discursos de ódio, e sinônimos do mesmo, deixando suas contas excluidas, além de serem notificados a segurança pública para que essa assuma sua posição e imponha a justiça, levando a internet a um ambiente seguro e livre para se expressar de forma legítima, sem o medo do linchamento e pressão dos internautas.