Linchamentos virtuais: o que motiva os atos e a gravidade desse comportamento na sociedade atual

Enviada em 05/05/2021

Recentemente, o “cancelamento” virtual - que consiste em condenar e tentar apagar uma pessoa das redes sociais - tem sido recorrente e devastador na vida de muitos indivíduos, principalmente artistas famosos e influenciadores digitais, abalando a saúde mental e as carreiras de ambos. O grande problema desses “juízes” virtuais é querer resumir toda uma pessoa e uma trajetória à uma atitude, opinião ou erro, quando, na verdade, é necessário só uma mudança de comportamento ou pensamento por parte de quem está incorreto. Portanto, convém analisar o que motiva esses atos de linchamento virtual e a gravidade desse comportamento na sociedade atual.

Diante desse cenário, é possível identificar a intolerância ao que é diferente como a principal causa dessa problemática. Segundo a socióloga Hannah Arendt, todos deveriam estar habituados a conviver e aceitar o comportamento, a opinião e os posicionamentos diferenciados, porque a diferença é algo inerte ao ser humano, mas isso não pode ser observado em nossa sociedade, ainda mais nos meios virtuais, onde foi estabelecida a cultura do cancelamento. Logo, é necessário que haja entendimento e a conscientização da sociedade para saber lidar com comportamentos e ideiais diversas, pois uma pessoa não se resume a isso, e não há nenhum benefício em cancelar e ser cancelado.

Além disso, pode-se considerar a vulnerabilidade, a exposição e a insegurança desses indivíduos que são linchados como a consequência mais grave desse problema. Isto foi possível de se observar no programa de televisão “Big Brother Brasil 2021”, no qual a cantora Karol Conká foi muito infeliz em sua participação, pois por conta de seu comportamento e atitudes reprováveis, saiu com a maior rejeição da história, sua família foi ameaçada, seu filho sofreu bullying na escola e toda a sua carreira se desmanchou. Tudo isso mostra a intensidade com que a sociedade atual julga, lincha e destrói a vida do próximo, ao invés de tentar ensinar e acolher a pessoa, ressaltando a intolerância presente.

Destarte, é necessário que os grandes veículos midiáticos - canais televisivos e redes sociais - promovam, por meio de propagandas, documentários e vídeos, histórias de pessoas que foram linchadas (como Karol Conká) e todas as suas consequências, para que seja possível conscientizar a população que o cancelamento é algo inteiramente nocivo e que pode assolar vidas. Espera-se, com isso, que haja o entendimento e a mudança de comportamento da sociedade, de forma geral, para que seja possível conviver-se em um mundo diverso e respeitoso, em consonância com o pensamento de Hannah.