Linchamentos virtuais: o que motiva os atos e a gravidade desse comportamento na sociedade atual
Enviada em 12/05/2021
A cantora Karol Conka, participante do reality BBB21, foi alvo de bastantes críticas e linchamentos virtuais após discursos xenofóbicos e insultantes para com os demais participantes do reality show. Sob essa análise, esse episódio faz-se bastante presente no cenário mundial, bem como nacional. Desse modo, são necessárias medidas interventivas para conter a questão, a qual é agravada devido não só à apatia globalizada no ciberespaço, mas também à falta de letramento digital.
Em primeiro lugar, é imperativo destacar o impacto da falta de empatia difusa no ciberespaço. Nesse sentido, uma das concepções filosóficas de Francis Bacon, que afirma o comportamento humano como congatioso, aplica-se perfeitamente à questão. Conforme os justiceiros virtuais repudiam alguma publicação e/ou argumento, essa depreciação acaba sendo difundida pelas redes e outros internautas reproduzem novos atos de depreciação da imagem do linchado. Concomitantemente, as futuras vítimas de linchamento virtual fazem postagens inadequadas, o que favorece o mantimento desse entrave.
Outrossim, convém enfatizar a falta de letramento digital como um dos fatores que reverbera a persistência da problemática. Segundo a pesquisadora da Unicamp, Karen Tank Mercuri, o linchamento ocorre por falta de letramento digital. Nessa continuidade, se a pessoa não tiver uma educação digital e carecer de autocríticas sobre suas publicações, bem como administrar as informação as quais obtém acesso, poderá ser um linchador ou um linchado em grande potencial. À vista disso, enquanto os internautas não souberem como se portar nas redes sociais, a questão do linchamento virtual será cada vez mais frequente no Brasil.
Infere-se, destarte, a necessidade de ações interventivas que cesse a questão em todo o âmbito virtual. Para tanto o Governo, em parceria com a Justiça Federal, deve sancionar leis rigorosas para conter os linchamentos no que tange ao mundo virtual, com rastreamentos tanto para quem inicia as depreciações, quanto para quem comenta e compartilha as publicações. Feito isso, os justiceiros virtuais terão um maior censo crítico de seus atos e, consequentemente, suas consequências perante à lei. Ademais, é importante criações de programas virtuais que induzam os internautas a terem uma maior autocrítica sobre postagens inadequadas e o que isso acarreta em sua vida social e virtual, com o fito de amenizar o ódio gratuito proferido aos que fazem publicações indevidas sem a noção da proporção que supostamente irá tomar. Tomadas essas medidas, o Brasil poderá, gradativamente, reduzir a quantidade de linchamentos virtuais.