Linchamentos virtuais: o que motiva os atos e a gravidade desse comportamento na sociedade atual
Enviada em 24/05/2021
A não onisciência é algo inerente da natureza humana, todas as pessoas, em algum momento de suas vidas, cometem erros por ignorância. Até mesmo Sócrates, um conhecido filósofo, admite ser ignorante em sua popular frase “só sei de que nada sei”. Entretanto, errar não é necessariamente um problema, pois o indivíduo pode utilizar de um erro para corrigir suas falhas. Mesmo assim, basta alguma figura pública cometer um erro para que ela sofra um linchamento virtual num ato onde internautas destroem a carreira e a reputação de alguém com o objetivo de realizar o que consideram justiça.
Para começar, é importante frisar que os internautas estão errados em participar de um linchamento virtual porque nele, eles se comportam como acusadores, juízes e júris ao mesmo tempo, o que não promove justiça. Logo, eles não deviam aplicar julgamentos e punições aos outros na internet. Seguramente, é possível afirmar que as mensagens de ódio, ameaças de morte e invasões à vida pessoal da vítima que frequentemente acompanham linchamentos virtuais são uma reação popular desproporcional, opinião também compartilhada por Leonardo Goldberg, doutor em psicologia da USP (Universidade de São Paulo).
Ademais, não se pode ignorar as terríveis consequências negativas de linchamentos virtuais à saúde mental de suas vítimas. Evidentemente, isso pode ser observado no caso da cantora Luísa Sonza, que foi linchada após uma acusação de traição e passou a sofrer em sua vida pessoal, ela afirmou “eu e meu namorado somos atacados na rua com agressões verbais diariamente há mais de um ano” e “desenvolvi ataques de pânico” em postagens numa rede social.
Depreende-se, portanto, que os linchamentos virtuais são ruins e deveriam parar de serem realizados. Por isso, é preciso que o Poder Legislativo crie leis que criminalizem essa prática e, assim, impeçam pessoas linchadas de sofrerem com reações desproporcionais.