Linchamentos virtuais: o que motiva os atos e a gravidade desse comportamento na sociedade atual
Enviada em 23/05/2021
O programa de reality show, Big Brother Brasil, que foi ao ar no começo do ano de 2021, levantou discussões acerca da cultura do cancelamento e como o linchamento, na maioria das vezes virtual, acontece na realidade. Karol Conka, uma das participantes do programa causou revolta nas redes sociais ao “cancelar” outro participante, Lucas Penteado, tal qual é feito na internet, tornando seus erros imperdoáveis, excluindo-o e não dando chance de remissão.
Com o advento das redes sociais, uma nova cultura surgiu, que não mais vê pessoas como seres humanos, que erram, que acertam e que podem aprender e evoluir. Para a internet, ou a pessoa é uma espécie de Deus, que nunca errou e nunca irá, ou ela, por conta de algum erro, grande ou pequeno, merece ser ameaçada, xingada e nunca irá aprender. Desculpas não bastam, as pessoas por trás das telas querem ver as pessoas que erraram se humilhando.
As consequências dessa cultura são devastadoras para quem sofreu com esse tipo de linchamento e pode até mesmo sair do âmbito virtual e afetar a integridade física da pessoa “cancelada”, como podemos citar o caso da dona de casa Fabiane Maria de Jesus, acusada falsamente nas redes sociais de sequestrar crianças em 2014, no Guarujá, em São Paulo. Ela foi brutalmente assassinada a caminho de sua casa pelos moradores da região. Vítima de um linchamento público, ela não resistiu aos ferimentos graves e faleceu.
Diante disso e observando que grande parte das pessoas que praticam linchamento virtual são adolescentes, é necessário que sejam feitas aulas e até mesmo palestras nas escolas, com a ajuda do Governo Federal e a Delegacia de Repressão aos Crimes Informáticos (DRCI), com o intuito de promover a empatia e o respeito ao próximo. Com isso, conscientizaremos alunos das consequências de seus atos, mesmo que estejam escondidos atrás de uma tela e um perfil falso nas redes sociais.