Linchamentos virtuais: o que motiva os atos e a gravidade desse comportamento na sociedade atual

Enviada em 24/05/2021

De início, cabe esclarecer por que ocorre a superexposição. Sob esse ângulo, segundo Zygmunt Bauman, em sua obra “Vida para Consumo”, na sociedade dos consumidores, as pessoas se transformam em mercadorias vendáveis, pois buscam aceitação social. No contexto em questão, as redes sociais podem ser comparadas às vitrines, onde os indivíduos se exibem para serem “consumidos”, isto é, aceitos. Em síntese, a superexposição é um meio usado para se encaixar num bom status social.

Por outro lado, a exibição exagerada na internet tem sido um problema para as relações sociais. Nesse sentido, no âmbito individual, a superexposição é um risco para a privacidade das pessoas, visto que as rotinas são, casa vez mais exibidas. Além disso, no que tange ao corpo social, entraves trabalhistas são gerados, tendo em vista que o perfil virtual é analisado não só como currículo, mas também como verificação para aqueles que já trabalham. Prova disso foi o caso noticiado pelo site G1 em 2012, no qual uma concessionária de São Paulo demitiu, por justa causa, um funcionário que curtiu comentários ofensivos à empresa.

Para o filósofo francês Jean Baudrillard, vive-se a “Sociedade do Espetáculo”, marcada por relações sociais mediadas, essencial, pela imagem. Essa valorização da dimensão visual é visto, no século XXI, nas redes sociais, uma vez que, com o fito de aceitação social, as exposições de aparências e opiniões são constantes, o que traz consequências individuais e sociais negativas.

Portanto, observa-se que é imprescindível conter as exposições exacerbadas que ocorrem virtualmente para evitar problemas sociais. Por conseguinte, é imperioso que a escola – haja vista sua importância na socialização secundária, como um dos pilares da sociedade, segundo Émile Durkheim – informe os cidadãos, por meio da introdução, nas aulas de Ciências Humanas, da discussão acerca dos riscos da exposição na internet, a fim de aclamar os impasses de privacidade e de emprego. Assim, a supervalorização do visual na Sociedade do Espetáculo será diminuída.