Linchamentos virtuais: o que motiva os atos e a gravidade desse comportamento na sociedade atual

Enviada em 23/05/2021

A constituição federal de 1988, documento mais importante do país, prevê em seu artigo 5° “Ninguém será considerado culpado até o trânsito em julgado de sentença penal condenatória. Entretanto, na internet adverso desse direito as pessoas são acusadas até que se prove o contrário, e todos se sentem no poder de fazer justiça com as próprias mãos. Com isso surgem os linchamentos virtuais, evento em que uma multidão de pessoas se une para propagar violência para uma só, na forma de uma chuva de comentários ofensivos. Diante disso é necessário a análise de razões que favorecem essa situação.

Em primeiro plano pode-se destacar como principal propulsor desse ódio, a falta de letramento digital, ou seja, a carência do domínio de técnicas e habilidades para acessar, interagir, processar e desenvolver competências na leitura das mais variadas mídias. Dado que o Brasil lidera a terceira posição do “ranking” mundial de internet e ter 2.036.411 ocorrências de linchamento virtual, de acordo com o IBOP, pode-se perceber a falta de tal letramento.

Ademais, é fundamental apontar a cultura do cancelamento como agente causadora dos linchamentos, evento em que uma pessoa pratica algum ato que é visto como incorreto pela sociedade e é ridicularizada pela mesma, sofrendo ataques e unfollows em suas redes sociais, perdendo até mesmo sua credibilidade. Causando transtornos e efeitos negativos na vida do cancelado, como na saúde mental, ou na questão financeira da pessoa. Recentemente presenciamos o cancelamento da Rapper Karol Conká, que durante sua participação no Reality BBB, teve atitudes mal vistas pela sociedade, recebendo assim ataques dos internautas, o que evidencia tal cultura. Portanto, medidas são necessárias para resolver esse impasse.

Dessa maneira é inadiável que as escolas juntamente com as famílias insiram a discussão sobre esse tema no ambiente escolar e domiciliar, através de palestras com participação de especialistas e psicólogos, afim de ensinar desde pequeno como agir nas redes sociais e interromper a propagação do ódio. Com isso resolver grande parte do problema enfrentado.