Linchamentos virtuais: o que motiva os atos e a gravidade desse comportamento na sociedade atual
Enviada em 21/05/2021
A Guerra Fria foi uma corrida tecnológica com o objetivo de ver qual potência seria mais avançada nesse requisito, acontecendo em 1991 e causando impacto mundial. Como consequência, outros países passaram a apresentar crescente avanço na tecnologia, que deixou de ser inacessível para grande parte da população de todo o mundo atualmente. Destarte, este empecilho deve ser debatido com foco em dois pontos principais: a grande liberdade expressiva nas mídias e suas influências.
Em primeiro plano, cabe ressaltar que as redes sociais hoje em dia, no Brasil, são utilizadas por mais de 82,7% das pessoas com 10 anos ou mais, de acordo com uma pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Com isso, há diferentes ideologias a respeito de um mesmo assunto, o que produz conflitos virtuais, pois cada dia mais as pessoas se expressam como querem, atacando verbalmente outro usuário que não divide de uma mesma opinião que o agressor, sem ao menos lembrar que do outro lado há uma pessoa física e não uma máquina. Esses conflitos podem, muitas vezes, motivar o alvo a desencadear uma série de doenças mentais como a depressão, sendo decorrente do linchamento virtual, ou como é mais conhecido: cancelamento.
Por conseguinte, também se mostra presente a fácil influência dos internautas uns sobre os outros, em que produtores de conteúdo em sites como Instagram e YouTube acabam influenciando seus seguidores em diferentes modalidades, que, pelo fanatismo excessivo, tomam para si as dores de seus ídolos e atacam outros “influencers” até mesmo com ameaças de morte. Para John Locke, onde não há lei, não há liberdade e, sendo assim, com o constante cancelamento nas redes devido à ampla liberdade de expressão sem limite, as pessoas receiam compartilhar algo por medo de serem as próximas vítimas. Outras, no entanto, visualizam tal situação como uma oportunidade de ganhar mais visibilidade que outros usuários da Internet, formando certa obsessão por estarem à frente de seus opositores, arquitentando, assim, um novo modelo da Guerra Fria.
Desta forma, faz-se necessário que medidas estratégicas sejam tomadas. Cabe ao Ministério da Educação e Cultura, em parceria com grandes influenciadores digitais, promover debates nas intituições de ensino do país, com o intuito de apontar os riscos reais que atitudes virtuais possuem, além de promover campanhas por meio de órgãos governamentais. Torna-se interessante também, o Estado impor leis cibernéticas quanto ao uso da liberdade de expressão, visando reduzir o desbalanceamento social e melhorar a convivência em conjunto, já que as mesmas pessoas que são politicamente corretas pessoalmente, propagam movimentos ofensivos nas redes. Somente assim seria possível recuar o cenário do linchamento virtual.