Linchamentos virtuais: o que motiva os atos e a gravidade desse comportamento na sociedade atual
Enviada em 22/05/2021
Policarpo Quaresma, protagonista de Lima Barreto, tem como característica mais marcante um nacionalismo ufanista, visando em um Brasil utópico. Entretanto, o linchamento virtual torna o país ainda mais distante do imaginado pelo personagem. Nessa perspectiva, seja pela rivalidade dos grupos político-sociais, seja pela falta de proporcionalidade nos julgamentos, o problema permanece silenciosamente afetando grande parte da população e exige uma reflexão urgente.
Em primeiro lugar, vale ressaltar que ataques ofensivos contra arranjos políticos e sociais hostis contribuíram para esse empecilho. Sendo assim, de acordo com o site Wikipédia, o discurso ideológico inflamado usa o linchamento virtual como uma forma de ganhar vantagem sob a postura de “cancelamento” do rival. Nesse sentido, a crítica em massa tem a capacidade de debilitar a índole dos oponentes, pois o linchamento virtual impede que essas pessoas se defendam amplamente.
Ademais, é relevante salientar que a proporcionalidade de julgamentos afeta diretamente a autoestima e a dignidade do ser, pois segundo Revista Maria Claire Globo, Anitta, cantora e compositora, em stories do Instagram desabafa e diz “dá vontade de não existir”. Nessa perspectiva, o sociólogo Pierre Bourdieu destaca que a “violência simbólica” se baseia na produção contínua de crenças sociais que incentivam o indivíduo a se posicionar a partir de critérios e padrões do discurso dominante e, consequentemente, ocorre uma naturalização da dialética entre opressores e oprimidos, ou seja, o ataque ofensivo e difamatório na internet é uma forma de violência simbólica devido ao seu impacto psicológico na pessoa acometida. Logo, é função do Estado verificar postagens que possam gerar danos diretos a outros indivíduos.
Infere-se, portanto, que medidas sejam tomadas para resolver esse impasse. Para tanto, é de suma importância que o Ministério da Educação, por meio das escolas e universidades, crie um projeto sócio– educativo, com oficinas, palestras e debates, para promover a conscientização social sobre o linchamento virtual na sociedade. Tais eventos devem ter alcance nacional, inclusive pela internet, com transmissões ao vivo e propaganda em emissoras, por exemplo, para que se apresentem as principais questões do tema. Espera-se, dessa forma, que a população possa estar inteirada sobre o assunto e que o problema seja minimizado.