Linchamentos virtuais: o que motiva os atos e a gravidade desse comportamento na sociedade atual

Enviada em 23/05/2021

Após a cantora Luísa Sonza anunciar o fim do casamento com Whindersson Nunes em abril e assumir em setembro que estava namorando Vitão, os internautas não perdoaram e encheram as redes sociais de Luísa de discursos de ódio e até mesmo ameaças de morte. Ela foi acusada de trair o humorista, mesmo sem provas. “Pessoas que destilam ódio na internet, vocês não vão sossegar até matar alguém, né? Porque estou avisando, uma hora vocês vão conseguir”, disse a cantora. Nesse contexto, faz-se necessário analisar os motivos e a gravidade desse comportamento da sociedade contemporânea.

Em primeira análise, cabe ressaltar que o mundo digital foi responsável por proporcionar um notável desenvolvimento na comunicação humana. Desde a Revolução Técnico-Científica e Informacional,  a conexão entre os indivíduos tornou-se mais rápida e fácil. Sendo assim, a oportunidade de leigos expressarem suas opiniões e suas indignações foi facilitada. Como principal motivação dos ataques virtuais pode-se citar que, no ambiente virtual, a falta de contato físico entre os envolvidos cria um ambiente mais propício às ofensas, visto que os agressores sentem-se “protegidos” por trás das telas de seus aparelhos eletrônicos. Ademais, a ideia de que não há punição na internet também incentiva a prática dos linchamentos virtuais.

Em segunda análise, é de extrema importância ressaltar a gravidade desse comportamento da sociedade contemporânea. Na maioria dos casos, os usuários contribuem com a propagação de comentários ou publicações de cunho racista, preconceituoso e até mesmo com incitação à violência. Esse comportamento pode gerar danos psicológicos irreversíveis. Numa perspectiva individual, são comuns efeitos como depressão, baixa autoestima, tentativas de suicídio, autoexclusão e automutilação pelas pessoas vitimadas.

Mediante aos fatos citados, é imprescindível a adoção de medidas capazes de mitigar o discurso de ódio no ambiente virtual. Logo, cabe ao Ministério da Educação e Cultura, em consonância com as instituições educacionais, acrescentar nas grades curriculares do Ensino Fundamental e Médio, matérias que visam a tolerância e respeito no ciberespaço. Ademais, cabe aos Governos estaduais, a ampliação de delegacias especializadas em crimes cibernéticos. Além disso, o Poder Legislativo deve promover uma lei que pune, de forma efetiva, indivíduos que cometerem ataques de ódio no mundo digital. Dessa forma, episódios de linchamento virtual público desencadeado por inúmeros discursos de ódio, como os sofridos pela cantora Luísa Sonza, poderão ser reduzidos gradativamente.