Linchamentos virtuais: o que motiva os atos e a gravidade desse comportamento na sociedade atual

Enviada em 23/05/2021

A constituição brasileira esclarece, nos Direitos e Garantias Fundamentais do artigo 5 inciso IV, que “é livre a manifestação do pensamento, sendo vedado o anonimato”. Dessa forma, é definido, por lei, que toda a população brasileira tem o direito de liberdade de expressão, no entanto, com o avanço da tecnologia, esse direito acaba sendo ignorado, pois o linchamento virtual é definido como um ato violento contra ideias e opiniões das pessoas. Ademais, muitas vezes, os agressores se utilizam de contas falsas para manter o anonimato, infringindo, assim, a lei sem punição.

Em primeira análise, vale ressaltar que a liberdade de expressão é um direito do ser humano então, é normal que os usuários das redes sociais se sintam a vontade de postar o seu dia a dia, pensamentos e opiniões com fotos, vídeos ou textos, pois esse meio virtual é uma forma de se conectar ao mundo e contribuir na divulgação de qualquer tipo de conteúdo, contudo esses ambientes abrem espaços para julgamentos, cancelamentos e linchamentos virtuais. Em relação a isso, verifica-se que com a facilidade de acesso as postagens, principalmente de pessoas públicas, os “haters” agem de forma sigilosa e rápida e usando perfis falsos/” fakes”, insultando os usuários por qualquer motivo, não se importando com o psicológico das pessoas linchadas e que essas vítimas podem desenvolver problemas de saúde graves como a ansiedade e até a depressão.

Além disso, pode ser observado que o isolamento social, praticado em tempos de pandemia do novo coronavírus, acentua a prática da violência virtual, pois o indivíduo se fecha sem interagir, presencialmente, com a sociedade e se sente mais à vontade para falar o que quiser nas redes. José Martins de Souza, sociólogo e professor da USP, estima que haja um linchamento tanto virtual como físico por dia no País, e que, nos últimos 60 anos, cerca de um milhão de brasileiros tenha participado de pelo menos um ato ou uma tentativa desse tipo. Diante de tudo isso, percebe-se que a tecnologia pode ser utilizada de forma maldosa, e que muitas vezes o que é postado nas mídias sociais pode acarretar problemas psicológicos, físicos e até levar a morte.

Logo, é evidente a necessidade de medidas sobre o assunto para que as pessoas possam se sentir mais seguros ao utilizar a internet. Desse modo, o Ministério da Educação, com a ajuda da Polícia Cibernética, poderia disponibilizar aulas e palestras gratuitas nas plataformas virtuais e nas escolas, geridas por especialistas na área e psicólogos que orientem sobre como ter um melhor comportamento moral online. Isso tudo objetiva o aprimoramento do uso da tecnologia entre crianças, jovens e adultos, além de identificar e interromper os discursos de ódio. Feito isso, essa problemática poderá ser abolida e as pessoas se sentirão mais à vontade para se expressarem sem ter o medo de serem atacadas.