Linchamentos virtuais: o que motiva os atos e a gravidade desse comportamento na sociedade atual
Enviada em 23/05/2021
Em um de seus poemas, Carlos Drummond de Andrade cita: “Tinha uma pedra no meio do caminho”, metaforizando os desafios que impedem o pleno desenvolvimento do bem-estar social. Correlativamente, no Brasil hodierno, os linchamentos virtuais configuram-se como um obstáculo na conquista legítima do bem comum, uma vez que esse descuido gera mudanças irreversíveis na vida da vítima, gerando até problemas psiquicos. A partir disso, é válido inferir que a lenta mudança de mentalidade da sociedade, bem como a omissão governamental, estão entre as principais premissas agravantes desse quadro.
É inevitável, em primeiro aspecto, observar uma falta de empatia com o próximo, visto que ataques virtuais estão cada vez mais comuns. Esse espaço permite o compartilhamento de ideias e opiniões, que geram repercusão rapidamente, por esse motivo o linchamente virtual atinge toda a sociedade. Questões desse tipo conduzem um maior agravamento nas estatísticas de ansiedade e depressão, pois as vítimas se sentem vulneráveis. Sob essa ótica, cabe resgatar o “Princípio da Corresponsabilidade Inevitável”, do psquiatra Augusto Cury, o que diz que toda ação individual gera um impacto coletivo, ou seja os dados desse ataque é para sociedade como um todo, pois gera uma separação ainda maior entre grupos. À luz dessa ideia, precisa-se mitigar essa mazela em função desse incômodo.
Outrossim, as autoridades públicas não tem dado a devida importância para esse assunto, visto que há escassas, por parte do órgão, de propugnar uma rigidez nas leis que regem o espaço cibernético. Nesse sentido, de acordo com Rousseau, filósofo renascentista, o Contrato Social estabelecido entre coletividade e instituições públicas exige uma participação de ambos na busca de uma sociedade menos amargurada e mais empática. Assim sendo, faz-se necessário a ação governamental no incentivo ao uso de maneira correta da internet.
Torna-se improtelável, portanto, desconstruir problemas e propor medidas solutivas. Em vista disso, cabe às ONGs relacionadas à proteção do individuo, por meio das redes sociais - detentoras de grande abrangência nacional -, criarem ficções engajadas, as quais divulguem sempre a maneira correta de utilizar a internet e os impactos que ataques virtuais geram na vida da vítima. É fundamental, analogamente, que o Congresso Nacional - instituição de poder máximo estatal - por meio do Ministério da Cidadania, aprimore as leis de combate para os opressores, para que sejam penalizados por suas atitudes, pois muitos acham que o espaço cibernético não possui leis, podendo fazer o que quiserem. Somente assim conseguir-se-à retirar a “pedra do caminho” citada por Drummond.