Linchamentos virtuais: o que motiva os atos e a gravidade desse comportamento na sociedade atual
Enviada em 22/05/2021
O sociólogo e filósofo polonês Zygmunt Bauman retrata em sua obra “modernidade Líquida” a fluidez das relações sociais e a rapidez na maneira em que as pessoas transformam seus estilos de vida. De maneira análoga a isso, ao analisar a coletividade brasileira, percebe-se que a cultura digital está incorporada em seus hábitos diários, por meio do uso constante das redes sociais para a promoção do lazer e conhecimento, o que gera opiniões distintas acerca de determinada situação. Isso influencia diretamente nas alterações das relações sociais. Nesse prisma, destacam-se dois aspectos importantes que auxiliaram para esse cenário contemporâneo: o discurso de ódio e a falta de conscientização.
Em primeiro plano, é importante destacar que os avanços tecnológicos ocorridos no século XXI contribuíram para a progressão do discurso de ódio, que é um posicionamento virtual que desencadeia a violência contra uma pessoa ou um grupo, uma vez que o anonimato presente no meio digital e a agilidade que as informações se propagam estimulam as declarações preconceituosas. Tal aumento direcionado a esse discurso pode ser evidenciado por uma entrevista realizada pela página online “Veja”, no ano 2020, que segundo Fernando Lottenberg, presidente da Conib (Confederação Israelita do Brasil), o discurso de ódio se disseminou com a pandemia, período em que os meios virtuais foram mais utilizados. Dessa forma, é notória a influência desse posicionamento para o linchamento virtual.
Entretanto, o discurso de ódio não foi o único colaborador para esse cenário atual. Além disso, é evidente que a ausência da conscientização nas mídias sociais contribuiu ainda mais para o emprego do linchamento, já que nesse ambiente há escassez do entendimento e respeito das diversidades que compõem a sociedade contemporânea, como os conceitos raciais e sexuais, o que gera o aumento de transtornos mentais nas pessoas que recebem as discriminações. Correspondente a essa ideia, de acordo com o filósofo italiano Sêneca, a educação exige maiores cuidados, porque influi sobre toda a vida. Desse modo, a ausência da educação, sendo a base da coletividade, atrapalha na formação de um ser sábio e conscientizado.
Portanto, é evidente a necessidade de medidas mais eficazes que venham a amenizar o linchamento virtual. Por conseguinte, cabe ao governo, juntamente com o Ministério da Educação, criar projetos pedagógicos e debates em relação às consequências de tal linchamento e ressaltar a importância da diversidade cultural e social, por meio de verbas governamentais, com a participação inclusiva dos responsáveis legais de cada educando nos projetos, a fim de que a sociedade entenda a intensidade de tais práticas.